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Moda

Quando a moda também cuida do social e do meio ambiente

Foto: Divulgação

Da criação das coleções à embalagem, Patricia Brito e Mayara Pimentel se baseiam no conceito do "vestir consciente"

Paula Schver

Do NE10

SJCC | Rio + 20

Esqueça o algodão encardido, o tecido que arranha, o valor exorbitante. Deixe de lado o preconceito e, quando for comprar roupas, dê uma chance à moda sustentável. "Temos as mesmas preocupações com tecido, corte, caimento e acabamento das peças. A diferença é que, da compra do material à embalagem, pensamos no que é melhor para as pessoas que fabricam as roupas, para as que as usam e para o meio ambiente", define Patricia Brito, sócia da 2Primas, loja-confecção de moda sustentável do Recife.

Minimizar o impacto social e ambiental é o que rege quem trabalha com o vestir consciente. As tarjas presas às etiquetas demonstram as preocupações. Usar tecidos ecológicos, orgânicos e recicláveis é apenas uma das certezas. O questionamento vem de muito antes. "Trabalhamos com empresas que pagam salários justos, assinam a carteira do trabalhador e também damos oportunidades a cooperativas e associações. Se o material vem de fora, queremos saber como é a logística do transporte, se a empresa está inserida em projetos ambientais, tem ISO de qualidade e faz ações sociais com as comunidades", conta Patricia.

O estilista que pensa numa coleção de moda sustentável vai dedicar uma parte de sua criação a roupas atemporais, que tenham “prazo de validade” não curto como o fast fashion para serem usadas além de uma estação. A utilização dos restos dos tecidos e o uso de tingimento artesanal, com pouco impacto ambiental graças aos corantes naturais, complementam esse ciclo. Segundo Patrícia, a busca é pelo equilíbrio, já que ser 100% sustentável é uma utopia. "Podemos até usar algum tecido que tenha o poliéster na sua composição. Se, por um lado, ele vem do petróleo e demora centenas de anos para degradar, por outro, é um material que tem durabilidade maior, não amassa e seca rápido, ou seja, há economia de energia já que não precisa ir para secadora nem passar a ferro."

INFORMAÇÃO - Após três anos de inaugurada, a 2Primas agora começa a ser uma empresa rentável. O preconceito, traduzido em falta de conhecimento, faz do Recife um mercado ainda em formação para a moda sustentável, avalia a sócia Mayara Pimentel. "Buscamos ser competitivos no valor, no design, no conceito. Mas, no Recife, diferentemente de capitais como São Paulo, não há informação. Muita gente, inclusive comerciantes, acha que se trata de um produto de pior qualidade", aponta Mayara.

Coleção inverno 2012 teve inspiração no filme Bonequinha de luxo

A necessidade de difundir os valores do ecofashion fez a designer pernambucana Patricia Moura fundar em 2011 o Coletivo Brasil, que reúne 22 grifes nacionais – entre elas a 2Primas -, dois grupos sociais e uma ONG. "Meu trabalho é todo focado na sustentabilidade, respeito ambiental e valorização social. A forma como a roupa é feita, sua origem, a cadeia produtiva são preocupações mundiais hoje. E só através da popularização da informação as pessoas entenderão a importância do desenvolvimento sustentável para nossa vida e para o planeta", contemporiza. Não só na carreira, mas na vida pessoal, Patricia aplica o conceito da sustentabilidade. Além de trabalhar com biojoias, decora sua casa com objetos feitos de PET, separa o lixo orgânico do reciclável e utiliza o ferro elétrico em dias específicos, entre outras atitudes sustentáveis. "Pequenos detalhes fazem a diferença", arremata.

Outras iniciativas sustentáveis 

Foto: Divulgação

Instituto Bantu dá oportunidade e formação a jovens de Brasília Teimosa

ECOJOIAS - A designer de joias pernambucana Lourdinha Oliveira descobriu o conceito do sustentável há mais de dez anos, quando exportou seus produtos para os Estados Unidos e o assunto já era dominante na terra do Tio Sam. No Brasil, ao resolver formar mão de obra especializada para confeccionar joias de olho no bem dos trabalhadores e do meio ambiente, identificou o interesse dos jovens no ramo. Quis, então, dar ao objeto de adorno o status de agente socialmente transformador. Com o apoio de empresas públicas e privadas e um importante patrocínio do Grupo JCPM, Lourdinha fundou em 2008 o Instituto Bantu, projeto que já transformou em joalheiros 120 meninos e meninas entre 16 e 23 anos, moradores do carente bairro de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife. Da primeira turma capacitada, 60% dos alunos estão inseridos no mercado de trabalho. “Você dá uma chance a esses jovens que têm pouca ou nenhuma oportunidade, reaproveita um mundo de materiais, e tudo é benéfico para a natureza”, aponta a designer. Por seis meses, os aprendizes têm aulas de história da arte, cidadania, ética e mercado e concluem o curso dentro da oficina, ficando aptos a cuidar do design à produção dos artigos. A matéria-prima – em geral pastilha de vidro, prata e ouro – é cedida por parceiros. “Produtos que iriam para o lixo são transformados com muito esmero. Não importa se a peça leva plástico, borracha, fibra. São joias, com valor de joias feitas por pessoas com formação de joalheiro”, frisa Lourdinha.

Foto: Divulgação

Nada se perde, tudo se transforma é o lema da grife pernambucana

REFAZENDA - Na matemática empresarial, ser sustentável é muito mais caro do que não o ser. Realidade que nunca desanimou Marcos Queiroz, sócio da Refazenda. "É muito mais em conta você pagar para retirarem o resíduo de sua empresa do que para reciclar o produto que voltará a ser matéria-prima. Só que é mais barato hoje. No futuro, pagaremos o preço", aponta. Há 20 anos a grife pernambucana cria, fabrica e distribui moda feminina sob o lema "nada se perde, tudo se transforma". As coleções, que desde o início apostavam no patchwork (quebra-cabeça de sobras de tecidos), ganharam ainda mais fama com o uso de tecidos naturais e a aplicação de rendas. Nos bastidores da fábrica, mais de 200 pessoas trabalham direta e indiretamente num ciclo sustentável que ganha corpo no viés social (com o treinamento de cooperativas de costureiras e rendeiras), cultural (ao resgatar a tradição da renda) e econômica (no sentido da viabilidade do ciclo). O reconhecimento público veio ano passado, quando a empresa conquistou o Prêmio de Sustentabilidade Ambiental do Sistema FIEPE. "Não dá para pensar que vou ser sustentável porque é um bom marketing, porque é bonito. Não temos mais tempo. É preciso agir", deixa a dica.

OS TECIDOS MAIS USADOS POR QUEM FAZ MODA SUSTENTÁVEL

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* Lyocell: Tecido sintético feito em laboratório com base celulósica. Sua matéria-prima é a polpa da madeira, biodegradável. Não destroi o meio ambiente para poder ser produzido, leva todas as características boas do algodão e elimina as ruins. Tecido de fibras longas, não amassa, é leve, fino, não esquenta nem produz peeling (bolinhas).

* Algodão orgânico: É 100% natural, livre de agrotóxicos. A fibra tem cores naturais, então o algodão orgânico colorido não passa por qualquer processo químico, do plantio à produção. É antialérgico e carrega todos os aspectos do algodão: é macio, confortável ao toque e não arranha a pele.

* Cânhamo - Fibra natural de origem vegetal oriunda da família cannabaceae. Por sua plantação não ser tão extensa, geralmente é encontrado em tecidos mistos e em valores mais altos se comparados a outros produtos têxteis. Tem característica parecida com o linho: absorve bem o calor, é confortável e, de fibra longa, é mais durável e resistente.

* Modal: Mistura do algodão orgânico com tecidos como poliéster e elastano. Como tem em sua base a fibra orgânica, é o chamado politicamente correto. É um tecido que tem bom caimento, toque macio e não absorve as toxinas do corpo. Muito usado para confecção de lingerie.

* Lã (e tecidos de pelos de animais, como cashmere, vicunha): Altamente sustentável por não promover a matança de animais. O pelo é cortado sem ferir os bichos, que não são criados com a finalidade de serem abatidos.

Fonte: Ana Peroba, professora de design de moda da Faculdade Senac-PE

Onde encontrar moda sustentável no recife 

Foto: NE10




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