Logística

Pernambuco no centro de tudo

Beneficiado geograficamente, o Estado tornou-se um mercado de grandes oportunidades para quem quer se dedicar à área

Por Rafael Dantas


MERCADO Faustino, que hoje está na IMPSA, se especializou em logística

Com o PIB crescendo a taxas superiores à média nacional e numa localização estratégica na região Nordeste, Pernambuco dispõe de um cenário convidativo para os profissionais que já atuam no segmento de logística e para quem ainda está escolhendo em que trabalhar. Esse serviço, que compreende toda a gestão dos recursos e equipamentos de uma empresa se aquece quando o movimento da economia é acelerado e fica mais complexo. Com mais importação e exportação e com o crescente deslocamento de insumos para a indústria e de produtos para o mercado consumidor, há uma movimentação maior de cargas para todo lado, o que exige eficiência administrativa para fazer todo esse motor rodar sem interrupções.

De acordo com o professor Luiz Guimarães, coordenador do curso tecnólogo em logística da Aeso, a procura pelo curso é intensa e o mercado ainda tem carência de profissionais especializados. "A região tem três grandes polos logísticos, mas Salvador está muito próximo dos grandes centros produtivos do Sudeste e Fortaleza está no extremo da região. Como Pernambuco está geograficamente no centro e conta com uma infraestrutura diferenciada, o mercado local está em destaque", afirma.

O crescimento constante do Porto de Suape - que movimentou 11,3 milhões de toneladas de cargas em 2011 - e do Terminal de Contêineres (Tecon Suape), que ultrapassou a marca de 440 mil TEUs (unidade internacional equivalente a contêineres de 20 pés) ano passado, são indicadores que demonstram o aquecimento do setor. Também há investimentos importantes na requalificação e duplicação de importantes rodovias estaduais, e na construção da Ferrovia Transnordestina, que prometem abrir novas oportunidades.

Um grande empreendimento no setor é a Cone Suape, que funcionará como condomínio de negócios para potencializar as competências logísticas e industriais da região portuária. A Cone, que espera ter contrato com mais de 100 empresas, confirmou a vinda de 20 empreendimentos, sendo oito logísticos. Estão em operação vários outros, como Rápido 900, Tecmar e Salvador Logística. "Com o empreendimento, a expectativa é de termos até 30 mil empregos permanentes nas empresas que irão operar no condomínio", diz Ângelo Belelis, vice-presidente da Cone S/A.




EMPREGO Transnordestina promete abrir novas oportunidades

Segundo Rebeca Mattos, supervisora de recursos humanos da Rapidão Cometa, empresa que atua na prestação de serviços de soluções logísticas, o crescimento da demanda no setor tem impulsionado o aumento dos quadros de funcionários. "Só na filial Recife trabalham hoje cerca de 1,2 mil trabalhadores, muitos formados em logística. A princípio, os tecnólogos não eram tão valorizados, quando competiam com os profissionais formados em administração ou engenheiros de produção. Hoje têm reconhecimento maior e alguns trabalham até como professores nas instituições de ensino da cidade", diz.

Enquanto o campo de trabalho é ampliado, uma série de profissionais formados voltam às salas de aula para se capacitar. "Muitos alunos que buscam os cursos de logística já estão nesse mercado e procuram se especializar ou gente que trabalha em outros segmentos e quer mudar de área, vislumbrando as oportunidades", aponta a coordenadora do curso técnico em logística e transporte de cargas do Sest/ Senat, Ivanilda Ferreira.

Quem decidiu mudar de rumo, embarcando na logística, foi Jaelson Costa, 37 anos. Formado em pedagogia e em sociologia, abandonou a docência para fazer técnico e MBA na nova área. "Minha motivação por essa formação é que a abertura do setor é muito grande, tanto em Pernambuco, como no restante do País", diz o aluno, que está no último semestre do técnico e pretende se especializar na atuação em cadeias de suprimentos.

Os profissionais capacitados em logística têm um leque muito grande de atividades para trabalhar. Existem três grandes áreas que compõe essa formação (transporte, armazenamento e distribuição) e que apontam onde estão as oportunidades. "O profissional poderá atuar no setor de compras, no planejamento logístico, na área de exportações das empresas, entre outros", mencionou Brunno Henrique, coordenador do curso de logística da Faculdade IBGM.

Formado no curso de tecnólogo, em 2010, e com MBA em logística empresarial, em 2011, Fernando Faustino Júnior, 31 anos, saiu da transportadora onde trabalhava para ser supervisor de logística da IMPSA, localizada em Suape. "Vi que havia muito trabalho e pouca gente especializada. Hoje as empresas veem neste setor um diferencial competitivo, pois podem reduzir custos de transporte, movimentação e até com mão de obra, quando há um planejamento e operação adequados", diz o profissional que pretende seguir os estudos, buscando o mestrado e doutorado. A empresa, que atua no segmento eólico, na produção de aerogeradores, atende o mercado nacional e até projetos fora do País.

De acordo com Brunno, os candidatos devem ser próativos, ter raciocínio lógico e espírito de liderança. Para o coordenador, essas características são necessárias pois o profissional de logística trabalha com resolução de problemas, articulação de projetos e relacionamento com fornecedores e clientes.