Polos

Chances para além de Suape

Engenheiros e técnicos possuem um vasto campo para trabalhar que não se resume ao complexo industrial portuário

Por Juliana Godoy


ÁREA DE ATUAÇÃO Indústrias dependem do trabalho dos técnicos em soldagem

Além do lado portuário da economia, as engenharias estão em alta também em outros setores do Estado. O interior, busca por engenheiros de alimentos. Quem opta por mecânica ou produção, se destaca nos diversos polos que estão sendo estruturados, como o farmacoquímico, em Goiana. Mas é preciso atenção e cuidado na hora de escolher para que lado seguir. Apesar de ter empregos de sobra, as engenharias exigem qualificação e empenho dos jovens.

Ao entrar no curso de engenharia mecânica, João Silva Acioli, 28 anos, nunca imaginou que precisaria estudar a produção de proteínas para uma vacina ou que teria se vestir dos pés a cabeça para entrar em uma sala. Funcionário da Novartis, empresa farmacêutica que vem como âncora para o polo farmacoquímico do Estado, ele viu que a carreira de mecânica era mais que o cálculo de engrenagens.

"O que o curso de engenharia mecânica me deu são as ferramentas necessárias para atacar problemas diversos de uma forma estruturada, sistemática, e achar soluções práticas e aplicáveis. Mais do que ensinar sobre aceleração ou como usar certas ferramentas, a universidade nos ensina a pensar", resume o engenheiro.

Mas os engenheiros precisam ter visão e mente abertas para se inserir em um novo mercado de trabalho. Entre as principais carências estão as áreas de produção, mecânica, de alimentos e principalmente engenharia cartográfica e ambiental.


EXPERIÊNCIA Depois do estágio na alemanha, Leonardo quer atuar no mercado local

POLO NORTE

"Apesar do foco estar na parte industrial, com naval e petróleo e gás, é na engenharia mecânica que estão as grandes oportunidades. Há uma perspectiva muito grande com a implantação do Polo Norte, que demanda profissionais dessa área", avisa Edmilson Lima, coordenador do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) da UFPE.

Estudante de engenharia de produção, Leonardo Mattos, já está se preparando para encarar o mercado de trabalho local. Além das disciplinas da universidade, ele investiu na estada de um semestre na Alemanha para ganhar experiência no exterior. Como resultado, conseguiu um contrato de estágio com a Volkswagen alemã e muitas portas abertas. "Desde o início da faculdade me empenhei ao máximo para fazer esse intercâmbio. A ideia era estudar cursos diferentes, os quais o departamento de engenharia de produção da UFPE não oferece", conta Leonardo, que pretende aplicar no País tudo que aprendeu fora. "O mercado aqui em Pernambuco está crescendo bastante e meu interesse é estar inserido nele. Quero continuar me aprimorando, estudando e me esforçando para, em um futuro próximo, aproveitar esse momento", conta o universitário.

Além da engenharia de produção e mecânica, outro foco é na engenharia de alimentos. "São profissões que permeiam quase todos os polos. Principalmente a de produção, já que um dos grandes entraves é justamente a questão de logística", diz o coordenador do CTG. Quem também se destaca são os técnicos de automação. "Eles conciliam a parte eletrônica com a mecânica e cuidam da manutenção dos sistemas. Todas as indústrias dependem deles", explica Sérgio Gaudêncio, diretor regional do Senai.

Os técnicos de soldagem também podem ser inseridos em qualquer um dos polos. "Quando o profissional é bom, tem emprego garantido. Já os inspetores de soldas, que fica responsável por analisar as soldas e ganham mais, cerca de R$ 7 mil, o mercado é mais estreito", ressalva a Gaudêncio. (J.G.)