Caruaru, no Agreste de Pernambuco, cresce economicamente num ritmo acima das médias estadual e nacional, distanciando-se cada vez mais da imagem romântica e ultrapassada de cidade do interior. No último balanço do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado em dezembro de 2012 e relativo ao ano de 2010, o município se destacou como a 6ª maior economia do Estado, somando mais de R$ 3 bilhões, valor superior ao PIB de cidades como Petrolina, no Sertão, e Paulista, no Grande Recife. No ranking estadual, ficou atrás apenas do Recife, Ipojuca, Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho e Olinda.


Com a duplicação da BR-232 e o desenvolvimento econômico surgiram também problemas estruturais do crescimento desordenado de Caruaru, localizada a 140 quilômetros da capital. A principal cidade do Agreste pernambucano possui cerca de 300 mil habitantes, vive hoje um processo de favelização nos morros e no entorno do distrito industrial e enfrenta desafios típicos dos grandes centros urbanos, como dificuldade de mobilidade, tráfico de drogas e violência.


Foto: Michele Souza / JC Imagem


O Morro do Bom Jesus, com altitude de 630 metros, é um dos cartões-postais da cidade e também um dos pontos conhecidos de venda de crack, droga que tem feito muitas vítimas na região. Inclusive entre os meninos e meninas que passaram pela ONG Comviva. A maioria cresceu e conviveu de perto com as mazelas do lugar.

O Comviva

Meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social trocam as ruas pela casa modesta de número 995, localizada na via e bairro que carregam o mesmo nome, Cedro, e pelos sonhos de uma vida melhor para muitos jovens de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. É lá que funciona a sede do Centro de Educação Popular Comunidade Viva (Comviva), espaço de acolhimento e capacitação técnica que abriga atualmente cerca de 350 crianças e adolescentes.



Fundada em 1987 com o nome de Comunidade Menores de Rua, a ONG foi fruto da iniciativa de uma alemã, ligada à Paróquia de Spyer, da Igreja Católica, e até 2006 sobrevivia apenas com dinheiro estrangeiro, vindo principalmente da entidade Misereor, da Alemanha. Hoje, no entanto, os recursos internacionais só cobrem 20% dos custos da ONG, que passou a depender de verba pública, conseguida por meio de projetos aprovados em editais.



A última grande doação que vinda do exterior aconteceu no final de 2012. O Governo do Japão doou R$ 215.721,16, que serviu para custear a reforma da sede e ampliar a oferta de vagas.


MISSÃO - A instituição realiza atividades sócioeducativas com foco na prevenção e recuperação de crianças e adolescentes de 6 a 21 anos em condições precárias de formação. Possui quatro núcleos de atividades estabelecidos nos bairros de Sol Poente (1), Centro (2) e Cedro (1), onde são oferecidos gratuitamente cursos profissionalizantes, reforço escolar, atendimento psicossocial, esportes, artes e refeições.


SERVIÇO:
Endereço: Rua Cedro, 995, Cedro, Caruaru - PE
Fone: (81) 3721.3097

E.M.S. 23 anos

O jovem nasceu numa família de 22 irmãos. Todos do mesmo pai e da mesma mãe. Dezesseis homens e seis mulheres. Foi o único entre os 22 filhos a terminar os estudos. Teve dois irmãos assassinados. Dois estão presos. Outros três são viciados em crack. Nascido e criado no Morro do Bom Jesus, ele não gosta de frequentar o local por causa do tráfico de drogas e da violência que existem na área. Só vai ao morro para visitar o pai, que continua morando lá.


E.M.S foi também o único entre os garotos do Comviva que concluiu o ensino médio. Fez isso porque sabia que, sem os estudos, não conseguiria melhorar de vida. A insistência se deu também por um desejo de dar orgulho aos pais. “Eu sabia que só ia conseguir dar uma alegria de verdade a eles se terminasse a escola. Já pensou você ter 16 filhos homens e nenhum dar certo?”


Após ser aprovado no concurso para soldado da Polícia Militar de Pernambuco, o rapaz aguarda agora ser chamado pela corporação. No início deste ano, ele se mudou para a casa nova. Comprou o imóvel pela Caixa Econômica Federal, financiado em 15 anos. Ele mora com a esposa e a filha, que acabou de completar 2 anos. Por causa do preconceito, pediu para que seu nome e sua imagem, já adulto, não fossem mostrados no webdocumentário.

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