“Todos os planos que fiz
deram errado”

A morte, a violência e a prisão entraram muito cedo na vida de Josenildo José da Silva Souza, 22 anos . Aos 18, ele já estava fichado. Foi acusado de um assalto a um posto de gasolina e, de cara, pegou 10 anos de cadeia. Diz que sua vida “foi toda troncha”. E que, por isso mesmo, desistiu de sonhar. “Todos os planos que fiz deram errado. Agora vai ser como Deus ou o diabo quiserem.” A falta de perspectiva contrasta com a pouca idade do rapaz. Josenildo tem cara e jeito de menino. Fala com uma certa inocência que desafia a vida difícil que sempre teve. Seu riso é fácil, leve, como se ignorasse a tristeza que carrega.


O pai era alcoólatra. Numa das bebedeiras, dormiu na rua e um carro passou por cima da cabeça dele. A casa onde Josenildo e os irmãos moravam foi comprada com o dinheiro da indenização paga por causa do atropelamento. Como uma sina maldita, passada de pai para filho, de geração a geração, Josenildo seguiu os mesmos passos do irmão mais velho. Joseildo da Silva Souza já tinha tirado “duas cadeias”, quando foi assassinado com seis tiros na cabeça, aos 22 anos. “Meu irmão era ladrão, eu não vou mentir. Mas ele só queria o meu bem.” Os dois passaram pelo Comviva. Joseildo saiu antes. Bem ou mal, foi a referência masculina para o irmão.


O crack fez Josenildo voltar para a cadeia. Tinha conseguido o benefício da progressão de regime (pela condenação de assalto a mão armada), estava em liberdade, tentando seguir adiante. Porém, um dia, a polícia passando, foi pego com 47 pedras e 26 papelotes de maconha. Garantiu que era tudo para consumo. Mas foi enquadrado por tráfico. “Não era para vender. Eu fumo isso em meia hora”, tentou argumentar. Agora lamenta a oportunidade jogada fora. “O que me resta é pedir a Deus para sair vivo daqui, com saúde. Ter a chance de recomeçar.” Mais uma vez.