“Minha vida foi só cadeia, cadeia, cadeia”

Cleberson Serafim da Silva é um rapaz de olhar triste. Nos últimos tempos, sua vida tem sido um entra e sai do presídio. Virou a cabeça aos 15 anos, depois que uma facada certeira no peito tirou a vida da sua irmã. Rubiana era mais do que uma irmã para Cleberson. Era a pessoa que ele mais gostava na vida. Consumido pela revolta, não demorou para entrar no mundo do crime. Ainda adolescente, foi, mais de uma vez, parar na antiga Fundac, hoje chamada de Funase. Já adulto, passou mais tempo na prisão do que fora dela. “Minha vida foi só cadeia, cadeia, cadeia.”


Aos 23 anos, ele só pensa em trabalhar e reconstruir a vida. Foi condenado a oito anos de prisão pelo crime de assalto. Diz que a justiça dos homens “só coloca a pessoa para trás”, porque mantém pessoas pobres, como ele, trancafiadas por mais tempo do que o que a lei determina. Isso só acontece, o jovem tem certeza, porque ele não tem dinheiro para pagar um advogado. “Eu tô tentando ficar sossegado, mas a revolta é muito grande.”


Na cadeia e na vida, quase ninguém conhece Cleberson pelo nome. Carrega o apelido de “Buda” desde menino. Antes mesmo de entrar para o Comviva, aos 8 anos, era assim que todos o chamavam. Quando lembra dos anos vividos na entidade, não tem dúvidas de que foram os melhores de sua vida. Eram tempos felizes, de brincadeiras e esperanças. “Tenho saudade daquela época. Não soube aproveitar as chances que eles deram, mas lá eu me sentia uma pessoa de verdade.”