Esquecido na prisão

Não é só a cadeia que faz Ednaldo dos Santos, 22 anos, lamentar a vida que teve. Tudo fica mais difícil diante do sofrimento de ter sido esquecido lá dentro por quem mais importa: sua família. Em um ano e cinco meses de presídio, recebeu uma vez a visita da mãe e duas vezes a do padrasto. A filha, de 7 meses, ele só viu em fotografia. Sabe apenas que a menina foi com a mãe para Petrolina. Depois não teve mais notícia. A mesma relação travada com o pai. O que Ednaldo conhece do rosto do homem que lhe gerou é uma velha foto preto e branco, que ele descobriu em casa, tinha uns 7 a 8 anos. Até hoje, nunca teve nenhum contato com o pai.


Nascido no Morro do Bom Jesus, foi lá que ganhou o apelido de Birita, depois de uma cachaça que tomou, ainda menino. Pegou gosto pelo álcool. Diz que entrou para o crime pela porta da droga. Primeiro, a maconha; mais tarde, o crack. Começou usando, depois vendendo e, quando viu, estava assaltando. A casa que construiu foi erguida com o dinheiro do tráfico. Condenado a cinco anos e quatro meses de prisão por assalto a mão armada, diz que já poderia ter sido beneficiado com o regime semiaberto. “Depois de muita luta, eu consegui um defensor público.”


Ednaldo só estudou no tempo em que frequentou a ONG. Ele lembra até hoje a surra que levou da mãe quando foi expulso da escola. “Foi quando eu resolvi sair de casa.” Nesses anos todos, a única coisa que realmente aprendeu foi a não temer a morte. “Na vida do crime, tem sempre uma cruzeta, um olho grande esperando você virar a esquina. A gente se acostuma. Já levei tiro, quase morri, é uma vida sem amanhã mesmo.”