Para viver um grande amor

José Amaro da Costa, 27 anos, tem o corpo todo tatuado. Tenta eternizar na pele os bons e maus bocados que já passou na vida. Fala de todas as perdas que viveu, e elas foram muitas, mas se nega a entregar os pontos. Não deixa que a desesperança espante a alegria que, um dia, quem sabe, pode voltar a visitá-lo. Por isso mesmo, depois de contar das surras que levava do pai (o que o fez ganhar o caminho da rua), da fome que passou, de quase ter desaparecido de tão magro por causa do crack (a cintura era 44, ficou 38), do sofrimento com a morte da mãe, o jovem fala o seu segredo para não desistir da felicidade.


José Amaro tem um grande amor o esperando lá fora. Morou com cinco mulheres, mas só uma é para sempre. O grande amor, o que é para a vida inteira, se chama Valdomira, mas para José Amaro é só Miroca. A eleita está presa como ele. Escreveu uma carta da cadeia, onde cumpre pena por tráfico de drogas.


José Amaro guarda essa carta como se fosse uma relíquia. Uma recordação dos melhores momentos passados ao lado da mulher amada. Miroca tatuou o nome dele na virilha dela. Ele mandou um CD de MP3 com as músicas de que ela gostava. Ela adorou. Não imaginava que ainda lembrasse do gosto musical dela.


“Não esqueço do nosso jantar à luz de velas, a gente escutando Maria Cecília e Rodolfo. Não esqueço de quando íamos morrer bem velhinhos, juntos, é claro. Te amo. E vou te esperar por toda a minha vida. Seu amor, Miroca.”