Apontado como o idealizador de todos os crimes pelos quais o trio é acusado, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 52 anos, é considerado manipulador e cruel. Professor de educação física e faixa preta em karatê, o acusado conheceu Bruna Cristina quando ensinava artes marciais no Rio Grande do Norte, há uma década, quando já era casado havia mais de 20 anos com Isabel Cristina. Jorge é o criador da seita que chamou O Cartel, que visaria à purificação do mundo e ao controle populacional e justifica nela os assassinatos.

O réu teria levado tanto esposa quanto a amante a fazerem parte do grupo, que tem a ingestão de carne humana como parte do processo de purificação. Isso justificaria, para eles, o assassinato, o esquartejamento e o consumo da carne de suas vítimas - esses crimes seriam "missões" para Jorge. Antes das mortes de Jéssica, Giselly e Alexandra, ele foi o ator e diretor de filmes caseiros, juntamente com Isabel, que já mostravam cenas de assassinato, canibalismo e ocultação de cadáver. O acusado está preso no Complexo do Curado, no Recife, aguardando julgamento.

Jorge escreveu um diário que ele chama de livro cujo título é "Revelações de um esquizofrênico". Nesses papéis, ele supostamente fala um pouco de sua vida, desde a infância até a fase adulta - embora a veracidade dessas histórias sejam questionadas. A leitura da obra traz um misto de incredulidade e pavor. Segundo o livro, desde quando era criança, Jorge já vivia em seu próprio mundo, acompanhado de seus amigos imaginários, a quem chamava de "um menino negro e outro branco". Em depoimentos à polícia e entrevistas concedidas a canais de televisão, Jorge ora admite que cometeu os assassinatos, ora diz que não se lembra de nada.

Entre suas visitas a Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as duas internações em hospitais psiquiátricos, Jorge morou nas cidades paraibanos de João Pessoa e Conde; e nas pernambucanas Olinda (bairro de Rio Doce) e Garanhuns (bairro de Jardim Petrópolis), mas nasceu no Recife. Em "Revelações de um esquizofrênico", ele se questiona por várias vezes sobre a sua sanidade mental: "Agora eu me pergunto... que pessoa passaria por isso e não entraria em crise!? ...Será que eu sou realmente louco!?". O laudo do exame realizado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Pernambuco (HCTP) atestou que Jorge não tem doença mental. Mas é psicopata.

Casada com Jorge Negromonte, Isabel Cristina Pires da Silveira, assim como Jorge, ora nega a participação nos crimes, ora admite haver matado as mulheres. Segundo relatos do livro "Revelações de um esquizofrênico", Isabel, 53 anos, era chamada de "Bel" por Jorge. Os dois começaram o relacionamento ainda na adolescência.

Jorge afirma, em um momento do livro, que, apesar do triângulo amoroso do qual fazia parte ser bastante criticado por vizinhos, Isabel lidava bem e dizia que era melhor ter um homem que a traía em sua presença do que escondido.

Além de ser apontada pela polícia como a responsável por atrair a vítima, com promessas de emprego como babá e simulando pregações religiosas, juntamente com Bruna, ela também era vendedora ambulante, comercializando empadas e coxinhas supostamente feitas com carne humana. Isabel Cristina está presa na Colônia Penal de Buíque, no Agreste pernambucano.

Chamada pelo apelido de "Pretinha", a potiguar Bruna Cristina Oliveira da Silva, 28 anos, é amante de Jorge Negromonte e a mais silenciosa do trio. Após o assassinato de Jéssica Camila, assumiu a identidade da vítima e se dizia a mãe da filha de Jéssica. A criança, à época do assassinato, tinha um ano. Quando o crime foi descoberto, estava com cinco anos.

De acordo com o depoimento de Isabel, Bruna era a que mais consumia carne humana, sendo a dieta baseada nos restos mortais das vítimas. Em entrevista à TV Jornal, Isabel afirmou que Bruna era quem participava da morte das mulheres com Jorge Negromonte.

Junto aos pertences do trio, a polícia encontrou um diário escrito por Bruna, no qual relatava devoção a Jorge, a quem chamava de "Monte" e dizia ser ele o mestre, seguindo seus ensinamentos. Há indícios de que ela teria ido morar com o casal quando ainda era uma adolescente após conhecer Jorge como professor de artes marciais em uma academia no Rio Grande do Norte e que ajudava Isabel a atrair as vítimas. Bruna aguarda julgamento na Colônia Penal Feminina de Buíque, no Agreste.

O julgamento

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