Por Thiago Wagner

A Arena Pernambuco exigiu do torcedor alvirrubro uma radical alteração no costume. A avaliação é do diretor de Marketing do Náutico, Fábio Mendes, que diagnostica uma mexida geral na série de hábitos dos torcedores. Apesar dessas mudanças, ele é otimista e confia na presença de bons públicos em São Lourenço da Mata. Abaixo, a entrevista completa com o dirigente alvirrubro:

NE10: Como o Náutico vem se preparando para o futuro com a Arena Pernambuco?
Fábio Mendes: O que a gente tem feito é tentar fazer a arena a casa do Náutico. Temos um contrato e pretendemos cumprí-lo. O que temos feito é um esforço para que o torcedor seja bem recebido lá.

NE10: Que ações são essas?
F.M: A arena tem uma série de coisas que são personalizadas. A locução pode ser nossa, o telão pode ser nosso e temos uma série de ações para os jogos, como uma parceria no valor dos ingressos. Procuramos compensar essa questão da mobilidade. Colocamos a caravana alvirrubra e o torcedor faz o trajeto no ônibus do clube. A gente tenta, dessa maneira, viabilizar ou consertar algumas coisas que não estão perfeitas em relação à arena.

NE10: Como o Náutico trabalha a arena com os sócios?
F.M: O sócio do Náutico tem descontos de 50%. Tem facilidades para aquisições para setores prime, por exemplo. Tudo o que existe além disso são ações do clube. Prioridade para comprar algumas coisas e valor mais barato na compra de estacionamento.

NE10: Por que o Náutico não conseguiu ainda se sentir mais à vontade na arena?
F.M: Primeiro que é injusto tirar uma média da torcida do Náutico, que manda lá todos os jogos em comparação com o Sport e Santa Cruz, que mandam os jogos mais interessantes. Nenhum deles jogou com Serra Talhada às 22h. Comparar assim é injusto. Mas acredito na continuidade nos bons públicos recentes que estamos tendo. A mobilidade atrapalha. Existe uma cultura que foi quebrada. O torcedor do Náutico ia para o jogo andando e dez minutos estava nos Aflitos. Agora tem que criar uma cultura nova. Tem muita gente que reside nos Aflitos que prefere não ir; por outro lado, tem torcedores de regiões como Nazaré da Mata que estão indo mais. Está mudando o perfil do consumidor do jogo do Náutico. Isso é um processo de adaptação. Quando você trata de maneira radical a mudança de praça de jogo vai ter o atrapalho no número ou satisfação. Talvez culturalmente estejamos saindo do zero. A torcida vai criando alguns hábitos como a carona para outro. O público do Náutico tende a melhorar.

NE10: Faltou um trabalho de conscientização para o torcedor se acostumar, aos poucos, a ir para a arena?
F.M: Não me sinto à vontade de falar porque não estou contextualizado com o ocorrido. Mas há de convir que o que foi oferecido da Arena Pernambuco foi diferente. Falando como pernambucano, talvez o que foi vendido do estádio para a sociedade não foi executado até o momento.

NE10: Existe barreira da CBF e federações para mais ações?
F.M: Aí não é mais com a Arena Pernambuco, mas com a estrutura do futebol. Há muito o futebol deixou de ser um simples esporte. É um entretenimento que você investe dinheiro. Aqui no Brasil isso ainda está mudando. Alguns clubes estão na frente, mas esbarram na falta de ações com a CBF. Os clubes pensam isoladamente as ações e é muito pouco. O que falta é uma visão de futebol como entretenimento. O público é o cliente e não tem como fazer diferente disso. Em esportes como beisebol, futebol americano e MMA o público é tratado como consumidor. Antigamente a paixão do pai fazia com que a gente fosse ao estádio e hoje em dia não é assim. Temos que estabelecer uma relação racional. Senão o futebol vai ter espaço apenas para os apaixonados e não vamos ter a continuidade dessa cultura.

NE10: Vislumbra melhoria no futuro?
F.M: Falo pelo departamento quando falo que aqui já tem um senso profissional do esporte. Há uma gestão que tende a ter um senso profissional. Vejo que alguns clubes procuram trabalhar a marca, fortalecendo a relação de maneira racional. Aí entram programas de sócio-torcedor e de relacionamento. Falando pelo Náutico, temos muitos torcedores fora. Vislumbro melhoria saída no trabalho de fortalecimento da marca. Mas não adianta nada disso se não tiver mudança no futebol brasileiro. Só se pensa no modelo de competição e como atrair mais patrocinadores para a organizadora e não em como atrair mais torcedores. Só os clubes mudando não é suficiente.


 

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