Ci­da­de da Co­pa sem pre­vi­são
de e­xis­tir

Por Mariana Dantas

Quando o município de São Lourenço da Mata foi escolhido para receber a Arena Pernambuco, o Governo de Pernambuco anunciou o maior projeto de expansão urbana já pensado para o Estado. Aos arredores do estádio, a 19 km do Recife, seriam construídos por meio de PPP (Parceria Público-Privada) mais de 9 mil unidades habitacionais, entre apartamentos, casas e flats, shopping center, hotel, hospital, lojas de comércio e serviços e até uma escola técnica federal. As obras da Cidade da Copa estavam previstas para começar logo após o Mundial. Até agora, no entanto, a vegetação predomina na área de 220 hectares destinada ao projeto.

Além de desenvolvimento, a Cidade da Copa geraria emprego para os pernambucanos. O governo estimava que, entre 2014 e 2024, as obras pudessem gerar cerca de 10 mil empregos diretos. Na segunda fase do projeto (2025 a 2034), outros 8 mil trabalhadores seriam contratados. Mas hoje, sem perspectivas de PPP, o risco da Cidade da Copa nunca existir é alto.

“A realidade econômica do Brasil mudou. Naquele momento, havia uma grande euforia no mercado imobiliário e valorização dos imóveis. Hoje o mercado está em queda e, infelizmente, é difícil encontrar investidores para um projeto desse porte’, afirma o vice-governador do Estado”, Raul Henry. Ele informa que o estudo de viabilidade encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) também inclui a análise do projeto e a elaboração “de novas alternativas econômicas” para a área. “A Cidade da Copa só pode ser retomada após o estudo da FGV e também se aparecer novos investidores”, conclui.

Entusiasmado em morar em uma cidade planejada, o funcionário público Renan Freire Spencer de Holanda, 27 anos, comprou um dos apartamentos em janeiro de 2013 pelo valor financiado de R$ 123 mil. “Acreditei que a região ia se desenvolver e não foi o que ocorreu. É frustrante, além dos problemas que estão por vir. Tenho carro, mas a minha namorada, não, e precisa do transporte público. E lá não passa ônibus”, afirma Renan.

O apartamento de Holanda estava previsto para ficar pronto em outubro deste ano, mas a entrega foi adiada para abril de 2016. “A construtora justificou que o atraso ocorreu por conta das chuvas e pela dificuldade de mão de obra. Mas acho que isso não é motivo. Como não quero adiar o casamento, eu e minha namorada já alugamos um apartamento na Boa Vista (Recife). Ou seja, agora temos mais uma despesa”, diz o funcionário público, que hoje tem dúvida se vai morar em São Lourenço ou repassar o imóvel.

A primeira moradora do residencial, Tatiane Sampaio dos Santos, 35, se diz satisfeita com sua decisão. Ela, que é paulista e casou com um pernambucano, resolveu deixar sua cidade natal há um ano e meio. “Quando avistei o conjunto de prédios, me apaixonei na hora. Em São Paulo, morava em um local muito barulhento. Aqui estou em contato com o ar puro e a natureza. Meu filho brinca com segurança no parquinho. Estou satisfeita”, diz Tatiane, apesar de também lamentar o insucesso da Cidade da Copa. “Acreditamos no projeto e ainda tenho esperança que aconteça. Hoje, como temos carro, morar aqui é viável, já que estamos a cinco minutos do centro de São Lourenço, onde encontro tudo de que preciso”, explica.

No final das contas...

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