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Artesãos do Cabo receberam consultoria do Sebrae e recriaram seus produtos

No Brasil, o artesanato ocupa cerca de 8,5 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Com inserção forte no interior do Estado, a manutenção dessa expressão cultural conta com forte apoio em Pernambuco de instituições como a Fundarpe, Sebrae e AD Diper. As ações de incentivo vão desde a consultoria de qualificação da atividade artesanal à criação de mecanismos que facilitam a comercialização das peças.

De olho na produção de 60 grupos produtivos, somente o Sebrae-PE atende em média 500 artesãos espalhados pelo Estado. A expertise na instituição atua junto a esses coletivos trabalhando nas áreas de gestão, capacitação, inovação e mercado. "Trabalhamos o produto desde a matéria-prima até a comercialização, oferecendo aos seus produtores oficinas, palestras, visitas técnicas", informa Fátima Gomes, gestora de projetos de artesanato do Sebrae, no Recife.

A atuação da instituição já resultou em vários cases de sucesso espalhados por todos os cantos do Estado. Grupos como a Tapeçaria Timbi (Camaragibe), Mulheres de Argila (Caruaru), Cana Brava (Goiana) e Ceramistas de Cabo do Santo Agostinho estão entre as associações que receberam a consultoria da instituição. Fruto desse trabalho permanente, neste ano o prêmio TOP 100 de Artesanato selecionou dez unidades produtivas do Estado entre as 100 mais competitivas do País. "Em geral, esses coletivos procuram as prefeituras em busca de apoio técnico, que os encaminham ao Sebrae. No Cabo, por exemplo, os artesãos de hoje viviam de produzir filtros d'água e vasos. Sentiram então a necessidade de recriar seus produtos. Hoje contam com um centro de artesanato para sua produção", conta Fátima Gomes.

Trabalhando com foco na produção artística, a Fundarpe atua no fomento às políticas públicas. "Fazemos o acompanhamento da produção artesanal do ponto de vista da arte. Discutimos as tendências e os elementos culturais que envolvem o trabalho dos artesãos", diz Severino Pessoa, presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Enquanto a Fundarpe olha para o processo produtivo, o Programa do Artesanato de Pernambuco (Pape), instituído em 2008 e sob a responsabilidade da AD Diper, é focado na comercialização. Além da promoção da Fenearte, o Pape leva os artesãos pernambucanos a feiras em outros Estados e trabalha ao longo do ano com a Unidade Móvel de Comercialização, que funciona como uma loja móvel a serviço do artesanato pernambucano. Através do Pape - que já administra o Centro de Artesanado, em Bezerros - será inaugurado em agosto o Centro de Artesanato de Pernambuco, no Armazém 11 do Porto do Recife. "A Fenearte é economia, criação de emprego e renda. Num momento em que há seca em Pernambuco, a arte e a cultura são alternativas à agricultura", diz o presidente da AD Diper, Márcio Stefanni.