texto moema luna

Luiz Gonzaga foi uma indicação natural na definição do homenageado desta 13ª Fenearte, já que o ano é marcado pelo centenário do Rei do Baião. Para criar o clima de homenagem ao Seu Lua, o escritório de arquitetura de Carlos Augusto Lira, responsável pela planta e pela cenografia da feira, usou elementos típicos da estética que ficou na história da Música Popular Brasileira como marca registrada do artista.

No mezanino, um espaço de 120 m² foi criado com referências ao cantor e compositor que chamou a atenção do País para a riqueza e para a pobreza do Nordeste. Cantou sua terra natal, Exu, denunciou os dramas da seca e enalteceu as bravuras de um personagem mítico no Sertão nordestino, o vaqueiro. Cantou ainda dramas familiares, como a saída da casa dos pais, e fez graça com os costumes da região.

De acordo com o crítico musical José Telles, a importância de Luiz Gonzaga na história da MPB é imensa. "A influência dele está em praticamente todos os artistas brasileiros, direta ou indiretamente".


De acordo com a arquiteta Ana Maria Pedroza, colaboradora do escritório de Carlos Augusto Lira, na montagem do Espaço de Tributo Luiz Gonzaga foram usadas peças do Museu Luiz Gonzaga da Prefeitura do Recife, que fica no Pátio de São Pedro, Bairro de São José. Os arquitetos também contaram com parte do acervo do colecionador Paulo Wanderley. Foram usadas a réplica de um gibão e um chapéu de couro (o mesmo artesão que faz para Luiz Gonzaga, Aprígio de Ouricuri), que está na capa do long play (LP) Danado de Bom (1984) e Forrobodó Cigano (1989). Paulo Wanderley também cedeu a sanfona de 120 baixos que foi do mestre Lua.

O ambiente terá seis estações de áudio e curadoria de José Mauro Alencar, gerente do Museu Luiz Gonzaga, com seis dos seus melhores long plays. Em cada estação duas pessoas poderão usufruir do mesmo som, sentadas em banquinhos com headphones. Também estarão disponíveis letras das músicas e mini cineminha.

Ana Maria diz que o teto do Espaço Luiz Gonzaga faz alusão ao fole da sanfona, a partir de tubos de madeira, dispostas de um canto a outro do espaço. No palco da Fenearte, artistas como Joquinha Gonzaga, Joãozinho do Exu, Jorge de Altinho e Santana cantarão músicas do Rei do Baião, lembrando os clássicos que marcaram a história da música brasileira. E assim começa a 13ª Fenearte, sob a égide do centenário do Velho Lua.