Formação superior não é garantia de emprego


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Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades. Promessa de um futuro feliz e confortável, o acesso à graduação foi amplamente facilitado nos últimos 14 anos, período em que o Partido dos Trabalhadores (PT) está no poder. Mas se tornar um “doutor”, como é dito no popular, com boa colocação no mercado de trabalho e melhores salários, não tem sido a realidade de muitos que terminam o ensino superior.

O fato é que cresce o número de pessoas diplomadas e desempregadas ou atuando em vagas distintas de sua formação. Excesso de formados numa mesma área, como os cursos de ciências humanas e sociais, e a baixa qualificação dos novos bacharéis são alguns dos motivos que podem explicar esse fenômeno. Atualmente, o Brasil conta com 7, 3 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação*.

* Os cursos mais procurados são:

- administração
- direito
- pedagogia
- ciências contábeis
- engenharia civil
- enfermagem
- psicologia
- serviço social
- gestão de pessoas/RH
- engenharia de produção

Os dados são do mais recente Censo da Educação Superior no Brasil, divulgados no ano passado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O número é reflexo de uma sociedade que, apesar das falhas no ensino básico, busca no 3º grau uma continuidade da carreira acadêmica. No entanto, só foi possível chegar a tal patamar graças aos incentivos federais como o Programa Universidade Para Todos (ProUni), criado em 2004, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), implantado em 1999, ainda no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e ampliado em 2010. Prova disso é que, na comparação com 2003, o número de matrículas no ensino superior aumentou 85,5%.

As duas iniciativas do Ministério da Educação ganharam força nos governos do ex-presidente Lula e no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Ambos defenderam que o País deveria investir na universalização das vagas para facilitar o acesso ao ensino superior.

Embora a ideia seja aplaudida por estudiosos da área da educação, a proliferação de faculdades particulares gerou uma massificação de diplomados pouco preparados para o mercado de trabalho. Hoje, a rede privada de ensino superior concentra 4.374.431 matrículas presenciais, ou seja, 71% do total.

SUCESSO PELO DIPLOMA - Contemplada com uma bolsa integral do ProUni, a jornalista Karla Oliveira, 26 anos, diz que deve ao programa federal sua carreira. Formada em 2011 na Faculdade Maurício de Nassau, no Recife, a jovem coleciona importantes prêmios de jornalismo e galgou seu espaço na empresa onde trabalha.

Após ser estagiária por um ano, foi contratada para produzir um conceituado programa de rádio. Com quatro anos como profissional da emissora, a jovem jornalista foi conduzida à vaga de coordenadora de reportagem da emissora que é uma das maiores do Nordeste. O sucesso na carreira permite que Karla consiga ajudar a família e ainda organizar um casamento previsto para o próximo ano. Além do esforço, os sonhos não teriam se realizado se a jornalista não tivesse conseguido apoio para concluir o ensino superior.

Se não fosse o ProUni, eu não teria conseguido me formar no que amo fazer. Cheguei a tentar vestibular duas vezes para a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) mas não passei. Sem o programa, hoje estaria formada em letras, já que cheguei a ser aprovada na UPE (Universidade de Pernambuco). Mas com certeza não seria tão feliz, nunca quis ser professora”, contou Karla Oliveira.

30% dos jovens brasileiros têm diploma

Aluna de boas notas, Karla ressalta que o fato de ter estudado em escolas particulares até o 9º ano e ter cursado o ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) foi determinante para ter um rendimento satisfatório no ensino superior. Ela lembra que numa turma com cerca de 60 alunos na faculdade, mais de dez eram provenientes do ProUni e a maioria se esforçava para encurtar as dificuldades de um ensino básico deficitário.

O diploma também foi determinante na vida da pedagoga Josivânia Maria Alves Freitas, 38. De origem indígena, ela é descendente das etnias Xukuru-Fulni-ô e enfrentou preconceitos étnicos para alcançar um mestrado e o reconhecimento profissional internacional. Filha da união entre uma índia e um banqueiro, ela foi iniciada nas tradições religiosas da família materna, mas por determinação do pai acabou se afastando após a morte da avó.

Josivânia cursou o antigo magistério, formou-se em 2005, emendou numa pós-graduação concluída em 2007 e concluiu o mestrado em 2013 no Programa Edumatec/UFPE. Ao concluir esta última etapa, teve seu estudo em educação tecnológica publicado em países europeus, e chegou a ser convidada para fazer um doutorado fora do País, podendo escolher entre Espanha e Portugal através de sua pesquisa, pioneira em Pernambuco sobre "Estilos de Aprendizagem no Virtual: As preferências do discente do Ensino Superior a Distância.”

Eu queria ter tido essas facilidades de ingresso. Considero uma evolução. Precisamos lembrar que durante muito tempo apenas os estudantes com melhores condições financeiras chegavam às universidades e faculdades privadas. Não se pode restringir o acesso ao mundo acadêmico, pelo contrário, temos que formar cada vez mais pesquisadores”, defendeu Josivânia Freitas.

“A vida acadêmica me garantiu um amadurecimento pessoal e profissional. Até agora, são oito anos de estudos na academia. Nesse tempo o olhar muda, as percepções de contextos também mudam. Posso dizer que hoje sou uma profissional formada”, declarou Josivânia, que sofreu por causa de sua origem indígena e humilde. Por causa disso, ela defende os programas federais que promovem a inclusão dos mais pobres no ensino superior.

Expectativas

Fomos às ruas saber o que os jovens esperam depois da faculdade. Quais seus planos e metas?

FORA DO MERCADO - Já Lívia Matos, 30 anos, foi bolsista 100% do Fies. Ela, que concluiu o ensino médio no bem conceituado Colégio da Polícia Militar de Pernambuco, entrou nas estatísticas do financiamento em 2011 e concluiu o curso de jornalismo no segundo semestre de 2014. Além da irmã, formada em pedagogia, ela é a segunda pessoa da família a ter um diploma de ensino superior.

O que por muito tempo foi sinônimo de orgulho, agora traz aflição. Há mais de oito meses buscando emprego, a jornalista não tem perspectivas. A única coisa que tem certeza é que terá que começar a pagar as parcelas do crédito educativo dado pelo governo federal.

Lívia estudou na Faculdade Joaquim Nabuco, no Centro do Recife, com o sonho de concluir um curso de nível superior. Ela já havia iniciado outras três graduações em instituições privadas, mas não concluiu nenhuma - letras, direito e tecnologia em redes de computadores. “Tentei esses cursos quando ainda tinha uma condição financeira melhor e podia pagar, mas não me identifiquei. No jornalismo eu me encontrei. Estava me realizando, queria terminar meu curso superior, mas quando me formei vi que a realidade é cruel”, lamentou.

Meu diploma hoje serve para pendurar na parede e olhe lá. Ele não me ajudou em nada para ter uma colocação no mercado de trabalho. Não sou de desistir, por isso penso em buscar novos cursos ou especializações na minha área, mas se não conseguir vou ter que mudar o foco de trabalhar numa redação, talvez tente ser professora”, queixou-se Lívia Matos que, até agora, não sabe exatamente como quitar o débito do Fies.

A história (quase) se repete com a bacharel em ciências biológicas Cynthia Leão, 23 anos. Embora estudiosos defendam que aqueles que estudam em instituições públicas sejam melhor avaliados no mercado de trabalho, a jovem é o exemplo de que a teoria não representa a prática. Apesar de ter concluído o ensino superior na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2014, hoje ela trabalha como operadora de telemarketing. Agora, o sonho de ter uma gradução no ensino superior parece ser algo apenas para alimentar o ego.

“Estou trabalhando numa área totalmente diferente daquela que me formei, mas não está sendo por falta de tentativa. Coloquei meu currículo em diversos lugares, inclusive em laboratórios de análises clínicas, mas não consegui nada na minha área”, contou Cynthia. Na tentativa de se tornar “mais atraente” aos olhos críticos do mercado de trabalho, ela ainda fez um curso técnico em análises clínicas na Escola Técnica Estadual Almirante Soares Dutra, no Recife, ao mesmo tempo em que estava na universidade.

Dados FIES

Evasão:
Sem Fies - 2013 - 23%
Com Fies - 2013 - 6,7%

Hoje, dos alunos no ensino
superior privado, 2 em
cada 5 são do Fies

Ainda não há como
prever o prejuízo
com inadimplência

Como
funciona

O governo federal faz uma série de pagamentos às faculdades privadas para bancar as mensalidades dos alunos inscritos no programa

Depois que terminar o curso, o aluno tem o prazo de 3x o tempo do curso para quitar o financiamento com o governo

Só podem participar

estudantes de faculdades privadas cuja renda familiar per capita é de até 2,5 salários mínimos (R$ 1.970)

O valor financiado

varia de 50% a 100%, a depender da renda familiar mensal bruta do estudante

A taxa de juros

no segundo semestre, foi de 6,5% ao ano. Antes, a porcentagem era de 3,4%

Para fazer o pedido


Para se inscrever, o estudante deve acessar o sistema on-line (SisFIES) e informar dados pessoais e do curso solicitado

Em até dez dias, o aluno deve comparecer à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da faculdade para validar sua inscrição

O contrato é feito em agência bancária credenciada pelo Fies (Caixa ou Banco do Brasil), conforme definido na inscrição

 

MUDANÇA NO FIES - Eliudes Lourenço de Oliveira, 25 anos, precisou dos serviços de um fisioterapeuta para cuidar do seu pai que havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral. Nessa fase de sua vida, ela viu a dificuldade que as pessoas têm para conseguir acesso a esse tipo de atendimento, além de descobrir os benefícios das sessões de fisioterapia. Foi aí que ela decidiu seguir a carreira e procurar os programas federais para entrar na faculdade. Conseguiu uma bolsa de 100% no Fies, entrou na faculdade, cursou 6 meses e saiu com uma dívida de mais de R$ 5 mil reais e o nome cadastrado nos serviços de restrição de crédito.

“Foi bem na época que anunciaram as mudanças do Fies que eu consegui a bolsa [fim de 2014]. As burocracias atrasaram a regularização da matrícula, mas a faculdade disse que eu poderia cursar mesmo sem os documentos em mãos. Confiei no fato de ter sido aprovada na bolsa de 100%, entrei e tentei regularizar tudo. Como não consegui, tive que sair da faculdade e agora estou com uma dívida que não posso pagar”, lembrou a jovem que trabalha em um café no Recife e recebe pouco mais de um salário mínimo, mas não desistiu do sonho. “Vou seguir tentando, mas não nego que esse problema com o Fies me deu um baque forte”, desabafou Eliudes.

O especialista Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) fala sobre o assunto:

QUALIDADE QUESTIONÁVEL - As facilitações de acesso ao ensino superior criaram um movimento de abertura de novas instituições particulares que agora abrigam os universitários cadastrados no ProUni ou Fies, além dos demais alunos. Em 2000, após a criação do ProUni, havia pouco mais de mil Instituições de ensino superior no Brasil. Hoje são 2.391, sendo 2.090 particulares, o que significa um total de 87,4% do total. Mas para o pedagogo especialista em ensino superior Alfredo Macedo Gomes, professor da UFPE, essa expansão não veio acompanhada da qualificação necessária.

A liberação de recursos tornou o ensino superior um mercado em si mesmo. As faculdades não estão focando o processo formativo, mas olhando para um negócio no qual se ganha muito dinheiro formando pessoas”, critica.

Dados de um estudo feito pela Hoper, consultoria especializada na área de educação e negócio, apontam que o faturamento das instituições particulares de ensino superior cresceu 30%, apenas entre 2011 e 2013 - pós facilitações geradas pelo governo federal em relação ao Fies. O levantamento revela que a arrecadação das instituições passou de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões ao ano.

Já após as novas regras do financiamento federal, divulgadas pelo Ministério da Educação no final de 2014, e válidas a partir dos contratos do 2º semestre de 2015, as instituições planejam cortes de investimentos, créditos aprovados para os alunos, entre outras medidas para reduzir o impacto da mudança que fechou a torneira na liberação de verba para os financiamentos.

Número total de faculdades em Pernambuco no período entre os anos 2000 e 2013

Entre públicas e privadas, a proporção do aumento é de 16 para 30 e 23 para 68, respectivamente.

Na opinião do professor Mozart Neves Ramos, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna, um dos grandes problemas do ensino superior no Brasil é que poucas instituições privadas oferecem cursos de alta qualidade.

“Claro que, historicamente, nós temos os desafios da defasagem do ensino básico. Muitos alunos chegam à universidade e desistem por não conseguirem acompanhar. Mas em geral as faculdades não são tão boas. Falta estrutura, não investem em laboratórios. Como garantir qualidade do ensino assim?”, questiona Mozart Neves.

Além das questões estruturais, os estudiosos ponderam que a qualidade do ensino está ligada a outras questões como número de alunos por sala de aula, contrato de trabalho dos professores, defasagem tecnológica, oferta prioritária de vagas noturnas e o próprio atraso vivido pela educação brasileira há anos - estima-se que 38% dos universitários brasileiros sejam analfabetos funcionais - não conseguem interpretar o que leem -, de acordo com pesquisa do Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

REFLEXOS NEGATIVOS - A corrida pelo diploma entre os brasileiros foi avaliada internacionalmente através do relatório Panorama da Educação de 2013, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - composta por 34 países.

O Brasil foi apontado como um país em que o nível de estudo faz grande diferença em termos de empregos e salários. Pelos cálculos da organização, um adulto com idade entre 25 e 64 anos que termina o ensino superior receberá, em média, 157% a mais que aqueles que terminaram o nível médio, enquanto a média nos demais países da OCDE fica em 57%.

Além disso, no final do mês de setembro deste ano, um tradicional levantamento feito pela revista britânica Times Higher Education (THE) aponta que o Brasil não tem representantes no top 200 do ranking de melhores instituições de ensino superior do mundo. Até mesmo as universidades de São Paulo (USP) e a Estadual de Campinas (Unicamp), que geralmente eram as mais bem avaliadas, caíram de posição.

No entanto, a psicóloga e consultora de recursos humanos Carolina Holanda alerta que, após o diploma ter se tornado mais acessível, o mesmo acabou perdendo força no currículo dos candidato aos empregos. Hoje, segundo ela, é necessário ter outras especializações e competências que vão do bom relacionamento pessoal à capacidade de realizar tarefas com agilidade e qualidade.

Além de existir muitas áreas que não exigem o nível superior, hoje a maioria das empresas não está preocupada com no quê ou onde o candidato é formado. A principal questão é se ele consegue exercer a função, se consegue fazer o que lhe é exigido”, pontuou ela, que trabalha há mais de 15 anos com mercado de trabalho.

Da “Pátria Educadora” aos cortes milionários

Por Marcela Balbino

A educação no Brasil sofreu neste ano de crise um duro golpe. Apesar de ter sido alçada a carro-chefe do governo federal, a área vem enfrentando um dos momentos mais difíceis da última década, com o enxugamento de recursos e a falta de perspectivas para concluir metas em andamento. Diretamente impactada pelo arrocho do ajuste fiscal, os programas de educação tiveram 9,4 bilhões de reais a menos para investir em 2015.

O Ministério da Educação tem atualmente o segundo maior orçamento da União, por isso os cortes já eram esperados, mas a situação causou um grande incômodo – tanto dentro do governo quanto em entidades da área. A preocupação é porque a falta de aumento nos investimentos pode representar uma ameaça ao cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado no ano passado em meio a comemorações do próprio governo e que tem algumas metas a vencer já em 2016.

Média de anos de estudos em 2013:

(de acordo com o Pnud - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)

Brasil

7,2 anos

Bolívia

9,2 anos

Chile

9,8 anos

Visto como alternativa para financiar os projetos educacionais, o setor do petróleo também sofreu reveses neste ano, como a redução do preço do barril, os impasses jurídicos sobre as novas regras de distribuição de royalties e redução no ritmo de investimento exigiram uma profunda revisão nos recursos previstos para o setor educacional.

As estimativas da receita do Fundo Social do petróleo eram de R$ 2,8 bilhões para este ano, mas já foram reduzidas em 58% pelos especialistas em energia. Com a crise na Petrobras, a empresa deve vender os ativos e rever o cronograma de investimento, o que altera os recursos destinados à educação.

A meta de universalização das vagas proposta nos governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma sofre críticas de estudiosos da área. A análise é que o Brasil precisa expandir o ensino em sintonia com o mercado e com a qualidade nos cursos ofertados.

Gastos com
FIES

2011 - R$ 1,8 bi
2012 - R$ 4,2 bi
2013 - R$ 7,6 bi
2014 - R$ 13,7 bi
2015 - R$ 12,4 bi

Número de novos
financiamentos

2010 - 76 mil
2011 - 154 mil
2012 - 378 mil
2013 - 560 mil
2014 - 732 mil
2015 - 314 mil
2016 - 350 mil (teto máximo)

Audaciosa, a meta 12 - uma das 20 do PNE - trata especificamente da elevação da taxa bruta de matrículas para 50% e da líquida para 33%, da população entre 18 e 24 anos. O desafio é ainda maior quando observamos as taxas por estado e por região, sobretudo nas regiões Nordeste e Norte do Brasil.

“Hoje nós temos cerca de 15% dos alunos com idades entre 18 e 24 anos e 30% de alunos com outras faixas etárias. Já o PNE prevê que em 10 anos esses números devem chegar aos 35% e 50%, respectivamente. São quase 20% de crescimento em uma década para cada um desses grupos. O desafio é como conciliar isso com a qualidade, então essa é um meta muito importante”, alerta o especialista em Ensino Superior, Alfredo Macedo Gomes, professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Para Gomes, o que falta ao Brasil é investigar e avaliar a regulação das instituições de ensino. “As empresas estão correndo atrás para fazer uma espécie de requalificação por já identificar essa baixa qualidade dos cursos do nível superior, até porque há uma distância entre o espaço formativo e o mercado de trabalho”.

Com limitações financeiras e graves problemas administrativos, o desafio do governo é garantir que o PNE entre nos trilhos e consiga aliar o acesso ao ensino superior com a qualidade da formação. “O nosso sistema se pacificou, o grande desafio é como você cresce e mantém os padrões de qualidade esperados”, avalia o especialista em ensino superior.

Evolução no período do PT

Aumento no número de vagas nos cursos de graduação:
2002 - 113.263 | 2014 - 245.983

“Nosso lema será Brasil: pátria educadora. A Educação será a prioridade das prioridades. […] Só a Educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero”, discursou Dilma Rousseff em cerimônia de posse após sua recondução à Presidência, em janeiro de 2015.

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