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Especial: Desafio Metropolitano

Fora da rota do crescimento

Giovanni Sandes

A maioria das cidades no Grande Recife busca uma forma de resolver seus gargalos com o crescimento. Mas há cidades em plena região metropolitana completamente isoladas da festa econômica. Na sexta reportagem da série Desafio Metropolitano, veja duas abordagens diferentes sobre cidades ilhadas pelo desenvolvimento. Na versão impressa do JC, o foco é sobre Araçoiaba, condenada pela corrupção a ser o município mais miserável do Nordeste, embora seja o mais novo do Grande Recife, com apenas 17 anos. No JC Online, o texto aborda a Ilha de Itamaracá, paraíso turístico antigo, esquecido nos anos 1990.

A Ilha de Itamaracá era, nos anos 1990, o que Tamandaré representa para a geração atual de jovens do Grande Recife. Mas virou uma nostálgica lembrança, depois que afloraram os problemas da enorme contradição de receber uma enorme população flutuante que, na alta estação, exibia riqueza em meio a um complexo penitenciário com presos em regime semiaberto.

Itamaracá é o segundo município mais excluído da rota do crescimento no Grande Recife. A famosa ilha do Litoral Norte era o maior atrativo turístico de Pernambuco, para onde migrava uma grande quantidade de veranistas na alta estação, até os anos 1990. Restou a lembrança disso.

A inadimplência do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) disparou, no rastro do inchaço de pobreza na ilha, porque houve um duplo movimento. Ao mesmo tempo que o regime semiaberto aumentou a insegurança na região, a migração de parentes dos presos de Itamaracá para comunidades pobres e ocupações irregulares pressionou muito os serviços públicos.

No antigo paraíso turístico, restaram 15 meios de hospedagem, contando pousadas domiciliares. Bares e restaurantes sazonais, em vez de faturarem alto no verão e fecharem o resto do ano, não abriram mais as portas. Ao final, Itamaracá virou um imenso esqueleto, porque das 16 mil casas da ilha, de 5 mil a 6 mil, somente, pertencem a moradores fixos.

Atualmente, diz o presidente da Associação dos Hoteleiros de Itamaracá (Ahita), Gustavo Alheiros, o turismo na área começa a melhorar. O aumento do fluxo de pessoas para a região veio aos poucos, com o anúncio, em 2006, de que o complexo prisional seria desativado.

A razão é uma parceria público-privada (PPP), a segunda do Estado, para construir um complexo prisional no município de Itaquitinga. A PPP é a segunda na área de segurança, em todo o Brasil. Mas a concessionária, a baiana Advance Construções e Participações, no início do mês assumiu as dificuldades financeiras e a parada nas obras, com 90% de execução.

Itamaracá sonha com um projeto do Estado para uma outra possível PPP, que vai criar um acesso para o norte passando pelo município para o norte. Essa é uma forma de fazer o desenvolvimento passar pela ilha, literalmente, um dos novos futuros caminhos para a Fiat, em Goiana. Mas ainda não há decisão ou previsão de quando o novo acesso, que seria pelo Janga, em Paulista, sairá do papel.

Mas o projeto crucial para o destino de Itamaracá conecta a ilha ao caçula metropolitano. Para a ilha se livrar do complexo de presídio, Araçoiaba precisa receber parte dos presos que não caberá nas 3.126 novas vagas de Itaquitinga. A nova estrutura, em Araçoiaba, teria capacidade para 2,2 mil detentos.

É onde se chega a um impasse. Itamaracá quer se livrar dos presos, Araçoiaba não quer recebê-los (veja na reportagem completa, na edição impressa). E as duas seguem ilhadas, à espera do desenvolvimento.