Pular para o menu | Pular para o conteúdo principal

Especial: Desafio Metropolitano

Quando a falta de planejamento degrada

Giovanni Sandes

Suape é um sonho de R$ 35 bilhões. As indústrias implantadas ou em obras estão em setores de ponta, como da cadeia do petróleo e gás e de energia eólica. Mas os problemas do crescimento em Suape exigem soluções em áreas diversas. A série Desafio Metropolitano traz, na terceira reportagem, dois grandes debates sobre o eixo sul de crescimento. Na versão online, leia sobre o imenso nó do trânsito a ser desatado pelo poder público, dentro e fora de um complexo para onde convergem, todos os dias, 75 mil pessoas. Nos vídeos e no depoimento do dia, conheça o que os técnicos discutem na versão impressa: como a especulação imobiliária e o déficit habitacional degradam o meio ambiente em uma zona de belezas naturais como a famosa praia de Porto de Galinhas.

A redenção econômica de Pernambuco vem de Suape. O complexo industrial portuário reúne uma carteira de investimentos com estaleiros, refinaria e petroquímica, uma geração de milhares de empregos. Mas, como dizem os economistas, não existe almoço grátis. A fatura do crescimento, estimada no planejamento integrado da região, é estimada em R$ 10 bilhões, somando desembolsos privados e públicos.

O trânsito caótico da região transformou-se em um dos maiores problemas no sul metropolitano, algo que se vincula, como ocorre com os diferentes temas de uma cidade, a uma questão aparentemente bem distante, o meio ambiente.

As dificuldades de deslocamento para Suape só ajudam a aumentar a concentração de operários e de candidatos a emprego na região, um círculo vicioso de especulação imobiliária, déficit habitacional e favelização crescentes, com avanço para áreas de proteção ambiental (veja o vídeo e o depoimento ao lado).

“É preciso ver as cidades metropolitanas, os problemas e as soluções, de forma integrada”, ressalta Ruskin Freitas, Diretor de Estudos Regionais e Urbanos da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas (Condepe/Fidem). Ele cita um dos grandes projetos viários em estudos, o Arco Metropolitano, como um futuro aliado para aliviar a pressão urbana da região.

Três dos quatro projetos de concessão criados em Pernambuco são direcionados para a área. Os dois novos, um com obras iniciadas, outro em estudos, somam mais de R$ 2 bilhões.

O primeiro deles começou a funcionar em junho do ano passado. Foi a parceria público-privada (PPP) do Paiva, hoje chamada de Rota dos Coqueiros. Quando foi concebida, ela era um caminho turístico. Mas virou rota alternativa para Suape, entre Jaboatão dos Guararapes e o município do Cabo de Santo Agostinho, com a piora do trânsito local.

O segundo já teve contrato assinado, mas ainda aguarda a conclusão da primeira parte do pacote de investimentos, um total que chegará a R$ 450 milhões: é a concessão da Rota do Atlântico, que envolve novos acessos ao complexo industrial e a Via Expressa, um caminho mais rápido para Porto de Galinhas.

Mas o terceiro e maior projeto é que chama atenção. O Arco Metropolitano, ainda em estudos, tem um impacto potencial em toda a região metropolitana: ligará um complexo de viadutos com 14 alças de acesso, da Rota do Atlântico, a uma rodovia de 80 quilômetros que desembocará em Itapissuma. Ou seja, ligará o sul e o norte metropolitanos, sem passar por Suape.

O secretário de Governo, Lauro Gusmão, diz que o Arco Metropolitano, estimado em R$ 1,6 bilhão, ainda está em estudos. “Ele é fundamental para a região”, reforça Lauro.