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Especial: Desafio Metropolitano

Um oeste maior do que a Copa.

Giovanni Sandes

O risco da vida em áreas de risco, nas habitações precárias, é comum para um terço da população do Grande Recife. Essa gente dos altos e morros, no oeste metropolitano, vê de camarote os investimentos de Pernambuco para a Copa 2014. Na quinta reportagem da série Desafio Metropolitano, veja as duas abordagens complementares sobre essa região. Na versão impressa do JC, leia sobre a janela do crescimento e os contrastes de uma área esquecida pelo poder público desde os anos 1960, como o Curado. No JC Online, entenda a expansão da fronteira metropolitana a oeste, para fora do Grande Recife.

O oeste é a terceira força metropolitana que puxa o Grande Recife para veio outra forte pressão, capitaneada pelo time de investimentos em mobilidade para o Mundial 2014, que induziu vários projetos imobiliários. Embora as estrelas da região sejam esses complexos com milhares de apartamentos e casas, uma força mais discreta ajuda a empurrar os limites do Grande Recife ainda mais para oeste, para fora do mapa metropolitano: as indústrias na Zona da Mata, como em Vitória de Santo Antão.

O conjunto de investimentos na malha viária oeste, para a Copa, impressiona. As intervenções incluem a criação de novas faixas na BR-232 até a entrada da BR-408, a partir de onde se inicia a duplicação dessa rodovia, único acesso atual à Cidade da Copa, um complexo imobiliário de R$ 1,6 bilhão. Em paralelo, o governo estadual e o federal desenharam projetos de transporte público (metrô e ônibus) associados a um novo acesso, por dentro do município de Camaragibe.

Tudo isso criou um clima de novos e grandes investimentos na região oeste, um “vazio” metropolitano, como explica o secretário da Copa, Ricardo Leitão, no depoimento que acompanha esta reportagem, um discurso oficial de desenvolvimento e alerta aos municípios. No vídeo, veja como a população local aguarda ser convocada para o crescimento com as obras da Copa, uma abordagem que você lê de forma completa, com histórico e detalhamento dos projetos na edição impressa do JC.

Essa, contudo, não é a única pressão exercida naquela área da metrópole, comenta Ruskin Marinho Freitas, diretor de Estudos Regionais e Urbanos da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas (Condepe/Fidem). É o que diz também Amélia Reynaldo, doutora em Planejamento e Urbanismo pela Escola Politécnica da Catalunha. “Uma nova extensão metropolitana surgiu com a BR-232”, comenta Amélia.

Vitória de Santo Antão, por exemplo, recebeu indústrias como a Kraft Foods e a Sadia. Foi também pensando nessas cidades que as imobiliárias apostaram em uma nova zona de moradia nos limites da região metropolitana, dentro do oeste formal do Grande Recife. Os empreendimentos, chamados de bairros planejados, prometem uma infraestrutura de serviços e comércio que, em tese, pode evitar a necessidade de tráfego rotineiro dos moradores desses complexos pelo núcleo do Grande Recife.

“Os municípios ao longo da BR-232 foram beneficiados com a duplicação e estão sofrendo mudanças no seu perfil. A Cidade da Copa consolida essa tendência”, comenta a economista Tania Bacelar.