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Especial: Desafio Metropolitano

Um norte diferente

Giovanni Sandes

Goiana é o maior exemplo de como os limites políticos e administrativos tradicionais não comportam mais a expansão do Grande Recife. A cidade da Zona da Mata é considerada o novo norte metropolitano, onde só os três principais investimentos somam R$ 5,44 bilhões. Na quarta reportagem da série Desafio Metropolitano, o JC Online mostra a chegada dos primeiros investidores para dar suporte a grandes projetos, como Fiat e Hemobrás. No JC impresso, conheça o dilema de Goiana, espremida entre a promessa de um futuro reluzente e o receio de repetir o crescimento distorcido de Suape.

O centro administrativo da Fiat, que começou a ser erguido segunda passada, vai abrigar 160 funcionários que vão monitorar as obras da sua fábrica de R$ 4 bilhões, em Goiana, e as primeiras ações institucionais do grupo italiano em Pernambuco. Daí para frente, a movimentação de pessoal só vai crescer na região. As obras terão um pico de 7 mil operários. A Fiat terá 4.500 empregados na operação, sem contar o pessoal nos cerca de 60 fornecedores que vão compor o polo automotivo.

Goiana nunca pensou em hotéis de negócios ou imóveis de alto padrão. Mas tudo começou a mudar com os projetos anunciados para o município, como Fiat, Indústria Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás), e Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP).

Do zero, um grupo de médias construtoras pernambucanas criou o consórcio Paradigma e, em uma área de 50 hectares, desenhou um projeto estimado em R$ 1 bilhão, com até 2.200 residências. O complexo inclui shopping, área de comércio e serviços e residências para públicos diversos, do alto padrão ao Minha casa, minha vida. A terraplenagem já teve início.

Antes de entrar em obras, o consórcio Paradigma estudou Betim, em Minas Gerais, onde a Fiat chegou em 1976. Percebeu a carência de hotelaria em Goiana. Assim, as construtoras AWM Engenharia, São Bento Incorporações e CA3 Construtora buscaram uma nova sócia, a Construtora Maluz, com expertise no ramo turístico, para incluir um hotel de R$ 18 milhões e 120 apartamentos já em obras no complexo.

Alexandre Mirinda, presidente da AWM, diz que a Maluz trará a experiência acumulada no turismo do Recife, com o Internacional Lucsim Hotel e o Recife Palace (que já não pertence ao grupo).

Mas a falta de hospedagem adequada em Goiana ficou tão evidente que o presidente da Associação Brasileira de Hotéis (ABIH-PE), Eduardo Cavalcanti, conta que executivos dos maiores investidores na região optam por dormir não em Pernambuco, mas na Paraíba.

“É mais rápido ir e voltar de João Pessoa do que do Recife”, diz ele.

Da Bahia, de Itacaré, veio o grupo Aguilar Lima, com um investimento de R$ 15 milhões e 140 apartamentos. Enquanto a previsão do hotel do Consórcio Paradigma é para 2014. “O nosso hotel é para o ano que vem”, adiante Cida Aguilar, diretora do Aguilar Lima.

O Cidade Atlântica é outro projeto que prevê hotelaria. Mas ele é muito maior que turismo e envolve uma área de 600 hectares, do tamanho do Bairro de Boa Viagem, no Recife, com zonas residenciais, comerciais e de serviços. Por enquanto, porém, não houve detalhamento de números Queiroz Galvão, GL Empreendimentos, Grupo Moura (mais conhecido pelas Baterias Moura) e Cavalcanti Petribu.

A cidade já tem uma Escola Técnica Estadual (ETE) e a Secretaria Estadual de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo (STQE) prepara cursos para outras áreas (leia na edição impressa).