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Especial: Desafio Metropolitano

Os impactos do futuro

Giovanni Sandes

O déficit de treinamento de mão-de-obra apenas no Grande Recife, de acordo com a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), seria de 136 mil trabalhadores. Mas a estimativa considera apenas a região metropolitana formal. Não inclui Goiana, que receberá o coração do polo automotivo, muito menos municípios do entorno do Grande Recife, como Vitória de Santo Antão, para onde várias indústrias já migraram. A relação entre o déficit de mão-de-obra nessas áreas além das fronteiras metropolitanas fez a iniciativa privada e os técnicos defenderem a criação do Colar Metropolitano

Por todas as cidades do Grande Recife, a população reclama que falta educação formal e cidadã: no trânsito, no mercado do trabalho e na política (assista no vídeo ao lado). Mas as discussões na área de planejamento vão além do debate unicamente sobre a mão-de-obra.

O economista Sérgio Buarque afirma que os novos projetos imobiliários e de fábricas fora do Grande Recife vão estimular o desenvolvimento de serviços e permitir a muita gente viver fora da área metropolitana em seu formato atual. Mas haverá, ainda assim, um fluxo de trabalhadores dentro e fora dessa região.

Ruskin Freitas, diretor de Estudos Regionais e Urbanos da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas (Condepe/Fidem), diz que o Colar Metropolitano será inevitável, com as obras viárias e projetos imobiliários para interligar os polos econômicos sem passar pela capital.

O principal deles é o Arco Metropolitano, uma proposta de concessão rodoviária de R$ 1,6 bilhão para ligar o município de Itapissuma, na BR-101 Norte, diretamente ao Cabo de Santo Agostinho, na BR-101 Sul. O projeto, ainda sem previsão de obras, aproveita parte de rodovias já existentes, como a PE-041 e a PE-027, e alcança fisicamente até Palmares, na Zona da Mata.

É por isso que se defende a criação do Colar Metropolitano: os novos polos ao sul, oeste e norte vão, aos poucos, criar vida própria, mas também vão resultar em uma dinâmica similar, guardadas as proporções, àquela que se observa entre o Recife e as cidades do entorno. “É como se tivéssemos a região metropolitana 1, 2 e 3”, afirma José Fernandes de Menezes, pesquisador da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE).

Legalmente, a região metropolitana não é a única forma de agrupar municípios para a implantação de obras e políticas públicas em comum. Desde 2001, existe a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Petrolina e Juazeiro. E, desde 2006, existe o Colar Metropolitano de Belo Horizonte. Os dois são apenas exemplos de grupos de cidades integradas.

Essas são estruturas formais para debater a área metropolitana. Mas, na América Latina, uma rede de cidades sustentáveis (www.redciudades.net) surgiu para a troca de experiências urbanas de metrópoles e cidades-polo. Ela já abrange cidades distribuídas entre o norte do México e o sul do Chile.

O cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco, analisa o fenômeno no áudio ao lado. No Brasil, os diversos movimentos estão ligados à Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis (rededecidades.ning.com) e à Plataforma Cidades Sustentáveis (www.cidadessustentaveis.org.br), onde está um banco de dados com as práticas e metodologias para a discussão do espaço urbano.

A série do JC se encerra aqui. Mas os traumas e as soluções do crescimento seguirão levantando discussões bem após o próximo dia 7, na votação do próximo prefeito. Cabe a você decidir se, após o voto, quer ou não encerrar o debate.