Bicampeão de novo

A conquista do bicampeonato pernambucano é histórica porque é algo que o Santa Cruz não conseguia há 25 anos. Existe um elo entre esses dois títulos. Chama-se Athayde Macedo. O hoje gerente de Futebol do clube era titular no meio de campo da equipe coral em 1987 e lembra bem do feito.

Por haver ganhado dois dos três turnos, o Santa Cruz jogava pelo empate na final, diferentemente deste domingo. Os rubro-negros saíram na frente, mas veio o empate que deu o título para o time do Arruda. "Foi um jogo muito difícil, mas tínhamos condições. Arrancamos um empate, Birigui fechou o gol no final, e nos sagramos bicampeões", diz Athayde.

"Foi uma conquista especial para mim. No meu primeiro ano aqui, chegar e ser logo bicamepão. Era um título muito esperado pela torcida tricolor na época. O Sport tinha montado um timaço, com grandes contratações, e era favorito ao título. O Santa Cruz fez um time muito forte também", afirma o ex-jogador, que começou no Bom Sucesso, do Rio de Janeiro, passou pelo Botafogo e pelo Vitória-BA antes de vir para o Recife.

"Nós éramos um time bom e unido. Tinha um pessoal bom vindo do Rio. Gilson Gênio, Edson, Ademir Fonseca, hoje treinador. Zé do Carmo e Sérgio China, que eram da casa, tinham muita qualidade. Depois que Zé foi para o Vasco, eu virei o capitão do time", relembra. Ele também destaca, daquela final, a presença de técnicos que viriam a ser muito vitoriosos no futebol nacional: Abel Braga (então Santa Cruz, hoje Fluminense) e Emerson Leão (então Sport, hoje São Paulo).



Athayde também foi campeão pernambucano em 1990, em mais uma final contra os rubro-negros. Mas ele também conhece bem o outro lado da moeda. Jogou no Sport de 1991 a 1996. Um ano a mais que seu período tricolor. E a passagem foi mais vitoriosa. Foram quatro títulos pernambucanos (1991, 1992, 1994 e 1996) e um da Copa do Nordeste (1994). Estava lá no surgimento de grandes jogadores como Juninho Pernambucano, Chiquinho e Leonardo. "Tenho identificação com os dois clubes. Talvez mais no Santa Cruz porque é onde eu fui mais ídolo"

O ex-atleta lembra que teve uma saída conturbada do Santa Cruz. Segundo ele, o clube queria contratar o goleiro Flávio, do Sport, e o envolveu na negociação, como uma troca. Além disso, o time estava devendo os salários. Curiosamente, quem o levou para o Arruda foi Adelson Wanderley, há anos gerente de Futebol do Sport, mas funcionário do Santa naquela época.

Comparando as equipes de 1987 e 2012, ele vê semelhanças e diferenças. "O que parece é em termos de ambiente e de grupo. Era grupo muito unido, como se fosse uma famíla. De diferente, a gente pode apontar que aquele era um grupo mais experiente, não tinha tantos jogadores novos como Renatinho e Memo. Nossa liderança era Birigui, goleiro muito experiente. Hoje a liderança é mais dividida entre vários jogadores", diz.

Humildemente, diz que, no novo título, sua "parcela de contribuição é mínima". "Eu sempre credito o trabalho do jogador dentro de campo. São eles que fazem as coisas acontecer. O treinador [Zé Teodoro] tem um papel grande, Sandro nem se fala, quem começou o projeto junto com o presidente foi o Sandro. A gente procura dar a melhor condição possível. Montando estrutura, contratando jogandor, trabalhamos em conjunto nesse aspecto de fazer montagem de equipe junto ao treinador."

Com a experiência de ter vivido os dois bicampeonatos e conhecer bem a história do clube, Athayde exalta a nova conquista como um marco histórico.

"Este título para o Santa Cruz é um marco, porque tem 25 anos do último. É para ficar na história na reconstrução do clube. O Santa Cruz vem vivenciando um período de reconstrução em todos os aspectos, de avançar e retornar à elite. Há dois anos estava totalmente no fundo do poço. É o ressurgimento de um grande clube de futebol".