Uruguai
A espera de um novo Maracanaço

Seleção do Uruguai

Análise

Como não acreditar na possibilidade de viver um novo maracanaço nesta Copa do Mundo no Brasil, tendo o Uruguai com um dos participantes. Há 64 anos atrás a Celeste Olímpica entrava para a história do futebol ao vencer o Brasil por 2x1 em pleno Maracanã lotado, com quase 200 mil torcedores, no dia 16 de julho de 1950. Ghiggia e Schiaffino, marcaram os gols e são lembrados até hoje como os autores da maior tragédia do futebol brasileiro. A geração 2014 vem cercada de boas expectativas, e acreditando que é possível sim repetir o feito de 1950.

Faz tempo que não vemos um Uruguai tão forte, principalmente no ataque. O poderio ofensivo se junta a raça do time, conhecida pelos próprios uruguaios como "Garra-Charrua", que, explicado por eles, significa não desistir nunca e acreditar até o último segundo de jogo. A dupla de ataque Cavani e Súarez é considerada uma das mais fortes entre todas as seleções da Copa. O Real Madrid já despertou o desejo de contar com Luiz Suárez, atualmente no Liverpool. Na última temporada, o PSG desembolsou 64 milhões de euros (182 milhões de reais) para contar com o futebol de Edinson Cavani, que deixou o Napoli. Os números dos dois é de impressionar. Suárez foi artilheiro do último Campeonato Inglês com 31 gols, nove a mais do que o seu companheiro de clube, Sturridge.

Na França, em sua primeira participação na Ligue 1, Cavani foi o vice-artilheiro com 17 gols, nove a menos que Ibrahimovic. A comissão de frente conta ainda com o melhor jogador da última Copa, Diego Forlan, atualmente no Japão. Lá atrás o Uruguai também apresenta consistência e regularidade. O capitão Lugano está sem clube, mas o preparo físico é de dar inveja a qualquer adversário. Outro destaque é o raçudo Gondin, campeão espanhol e vice da Europa com o Atlético de Madrid. Nas eliminatórias o time foi irregular e precisou da repescagem para carimbar sua vaga. Mas o maior motivo de preocupação são os adversários de seu grupo, o D, onde ficou ao lado de Itália, Inglaterra e Costa Rica (mera figurante). Apesar de estarem no grupo da morte é provável que passem de fase. O Brasil que se cuide, pois os uruguaios estão mais fortes e sonhando com um novo "maracanaço".


Destaque

Luis Suárez

Luis Suárez - Não é o único craque da Celeste Olímpica. Deve dividir esse status com o também goleador Edinson Cavani. Com eles o ataque do Uruguai se transforma no mais perigoso da Copa, ainda mais se Fórlan repetir as boas atuações de 2010. Artilheiro da Premier League com 31 gols, Suárez é um atacante que alia muito bem força física e tecnica. Sabe concluir à gol, dribla rápido e se posiciona bem na área. É completo, o suficiente para quem sabe ser o artilheiro da Copa.

Fique de olho

Hernández

Hernández - Artilheiro do Sulamericano sub-20 de 2009 com cinco gols, ao lado de Walter, do Fluminense, Hérnandez surgiu no melhor momento do setor ofensivo uruguaio. Se não bastassem os já citados Cavani, Suárez e Forlan, o técnico Óscar Tabarez terá uma outra arma para vencer os sistemas defensivos adversários. Hérnandez é homem de área e pode deixar os artilheiros titulares um pouco mais soltos em campo, o que deve incomodar ainda mais as defesas rivais.

Treinador

Óscar Tabarez

Óscar Tabarez - Pode parecer estranho ao afirmar que Tabarez é um dos técnicos mais pressionados na Copa. Mas é verdade. O técnico da Celeste terá a árdua missão de fazer com que a sua forte equipe não decepcione no Brasil. Com dois dos melhores centroavantes do futebol atual, o Uruguai não pode de forma alguma abdicar de sua ofensividade. E o Tabarez é quem terá a obrigação de fazer essa dupla funcionar. Ainda terá a ajuda do melhor jogador da última Copa, Diego Fórlan, que embora não seja mais o mesmo, ainda pode ser decisivo para os celestes. Abel Hérnandez é uma arma secreta que o treinador terá à disposição. O Uruguai pode até não ser o campeão da Copa, mas também passar em branco com um quarteto destes é sinônimo de vexame, para o time, e para a comissão técnica.


Time base

É um 4-2-3-1 bem ofensivo, com variações entre o 4-3-3, quando Fórlan e Cavani avançam um pouco mais e fazem companhia a Súarez; e com o 4-4-2, caso Tábarez opte por Fórlan atuando de meia ao lado de Cristian Rodríguez. Vale lembrar também que o meia do Atlético de Madrid também pode atuar como ponta, ou seja, o Uruguai pode jogar com três homens de frente, sendo que Fórlan passaria a ser o meia de ligação da Celeste. Na frente o Uruguai tem muitas opções para montar posicionar seus atacantes, e essa também é uma arma contra os adversários, as variáveis no mesmo esquema tático.


Convocados

Goleiros:

Fernando Muslera (Galatasaray/TUR)
Martín Silva (Vasco/BRA)
Rodrigo Muñoz (Libertad/PAR)

Defensores:

Diego Lugano (West Bromwich/ING)
Diego Godín (Atlético de Madrid/ESP)
José María Giménez (Atlético de Madrid/ESP)
Martín Cáceres (Juventus/ITA)
Maxi Pereira (Benfica/POR)
Jorge Fucile (Porto/POR)
Sebástian Coates (Nacional)

Meio-campistas:

Arévalo Ríos (Morelia/ESP)
Walter Gargano (Lazio/ITA)
Gastón Ramírez (Southampton/ING)
Cristian Rodríguez (Atlético de Madrid/ESP)
Nicolás Lodeiro (Botafogo/BRA)
Álvaro González (Lazio/ITA)
Álvaro Pereira (São Paulo/BRA)
Diego Pérez (Bologna/ITA)

Atacantes:

Edinson Cavani (Paris Saint-Germain/FRA)
Luis Suárez (Liverpool/ING)
Diego Forlán (Cerezo Osaka)
Abel Hernández (Palermo/ITA)
Cristian Stuani (Espanyol/ESP)

História

Os uruguaios participaram ao todo de 11 Copas (está será a 12°), e os melhores resultados foram em 1930 e 50, quando sagraram-se campeões do mundo. Em 62, no Chile, e em 2002, Coréia e Japão, caíram ainda na primeira fase. Também caíram na fase de grupos em 74, mesmo com Pablo Fórlan (pai de Diego Fórlan) e Pedro Rocha, ambos do São Paulo e Ladislao Mazurkiewicz, goleiro do Atlético Mineiro. Em 86 e 90 caíram nas oitavas de final. Na Copa da Inglaterra em 1966 chegaram até as quartas de final, onde perderam para a Alemanha do goleiraço Sepp Maier. O seu histórico termina com as quedas em semifinais nas Copas de 54 e 2010, sendo esta, consagrando Diego Fórlan como o melhor jogador da competição.

Contra o Brasil

Se enganam aqueles que pensam que os brasileiros tremen na base quando veêm os uruguaios. Apesar do Maracanço em 1950, a seleção canarinha também guarda boas lembranças do rival sulamericano. Na Copa de 70 no México, o Brasil de Pelé, Rivelino e Jairzinho venceu por 3 a 1 de virada após o Uruguai iniciar vencendo com gol de Cubilla. Os uruguaios participaram ao todo de 11 Copas (está será a 12°). Em 86 na Espanha só encontrariam o Brasil em uma eventual decisão, mas caíram logo nas oitavas para a Argentina, enquanto o Brasil se segurou até as quartas quando perdeu para a França de Michel Plattini. Depois disso, nunca mais tiveram a chance de se enfrentar e desempatar a disputa que permanece em 1x1 desde 1970.



Palpite: Pode surpreender