Presidente da Argentina exalta seleção após vice


Cristina também sustentou que a seleção havia recuperado "valores esquecidos" pela sociedade argentina. Foto: AFP

"Neste domingo os jogadores da seleção ganharam o jogo!". A exclamação, uma paradoxal afirmação sobre o jogo que terminou em derrota para a Alemanha, foi proferida nesta segunda-feira pela presidente Cristina Kirchner ao receber os integrantes da seleção argentina nas instalações da Associação de Futebol da Argentina (AFA) no município de Ezeiza, na Grande Buenos Aires.

A presidente sustentou que o time havia tido "garra" e "emoção". Sem entrar em detalhes, Cristina também sustentou que a seleção havia recuperado "valores esquecidos" pela sociedade argentina e que os jogadores "defenderam as cores (da bandeira) com orgulho. São leões!".

A presidente, ao vivo pela TV, falava no centro de um cenário, rodeada pelos jogadores, enquanto ia chamando "los muchachos" (os rapazes) para falar, como se fosse um programa de auditório. Cristina - que admitiu que não assistiu jogo algum durante a Copa - também forneceu conselhos médicos, como o dado a Gonzalo Higuaín, em referência às diversas contusões que teve nos jogos: "Seriam bom você fazer uma ressonância magnética". Deixando o tom maternal de lado chamou Ezequiel "El Pocho" Lavezzi: "Lavezzi, cadê você? Vem aqui, dizem que você é o novo sex symbol do país...".

Os analistas políticos indicavam que o dia, o primeiro após o encerramento da Copa, era "a segunda-feira das segundas-feiras", em alusão à volta drástica à realidade política e econômica cotidiana.

Desta forma, sem a vitória na Copa, dissipa-se o denominado "Efeito Messi", referência ao virtual alívio que a conquista eventual do troféu teria propiciado ao governo Kirchner, afetado por escândalos de corrupção, especialmente o processo contra o vice-presidente Amado Boudou.

Além disso, volta ao foco da mídia e da opinião pública a polêmica negociação da dívida pública com os "holdouts", denominação dos credores que possuem bônus em estado de calote desde 2001 e que não aceitaram as reestruturações da dívida feitas pelo governo Kirchner em 2005 e 2010.