Joachim Löw celebra maior prêmio a 10 anos de trabalho


Foto: AFP

Quando o italiano Nicola Rizzoli deu seu último apito no Maracanã, a primeira coisa que Joachim Löw sentiu foi alívio. Ele, enfim, recebia a recompensa pelos dez anos de trabalho na seleção alemã e sentia que valeu a pena viver as decepções causadas pelos títulos perdidos no caminho e aguentar dignamente as (muitas) críticas que a ele foram dirigidas em seu país.

A seleção da Alemanha entrou na vida de Löw em 2004, quando seu amigo Jürgen Klinsmann foi contratado para ser o treinador do time e o convidou para ser seu auxiliar. Os dois começaram uma profunda reforma na seleção, que vinha de campanhas medíocres. O objetivo era mudar o estilo do time, tornando-o mais técnico e criativo. Para isso, a Federação Alemã investiu muito dinheiro em divisões de base e o resultado foi a revelação de jogadores como Müller, Özil, Kroos e Götze.

Löw agora tem absoluta certeza de que estava no rumo certo este tempo todo. "Começamos o projeto há dez anos e o que conquistamos aqui é resultado de muito trabalho", comentou o treinador, que assumiu o comando da seleção depois da Copa de 2006, quando Klinsmann decidiu se mudar para os Estados Unidos. "Nossa força foi termos melhorado constantemente ao longo destes anos, embora não tenhamos conseguido dar esse passo (o título) antes."

O fato de um dos jovens mais talentosos formados pela Alemanha nos últimos anos, Götze, ter marcado o gol do título mundial deixou Löw ainda mais feliz. É como se esse gol simbolizasse a reformulação iniciada em 2004. "Naquela época, o futebol alemão estava no seu momento mais baixo", lembrou Löw. "Nós dissemos: ‘Não, temos de investir mais nos jovens, no talento, temos de melhorar nosso trabalho no campo’. Criamos centros de excelência e os resultados apareceram.

Na entrevista coletiva que concedeu após a vitória sobre a Argentina, o técnico não esqueceu de mencionar que a Alemanha foi o primeiro país europeu a vencer um Mundial em outro continente e se disse especialmente satisfeito por isso ter ocorrido no Brasil, que ele chamou de "país do futebol". Löw acredita que o carinho que sua seleção recebeu dos brasileiros (e que foi plenamente retribuído) ajudou a Alemanha a dar a volta olímpica no Maracanã, neste domingo.

"As pessoas no entorno do nosso centro de treinamento foram muito gentis conosco", disse Löw. A Alemanha ficou concentrada no Campo Bahia, centro construído especialmente para a Copa em Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia. "Quando chegamos à cidade depois de vencer o Brasil por 7 a 1, havia uma tristeza muito grande neste País, mas ainda assim havia muitas pessoas nas ruas nos esperando com cartazes e bandeiras alemãs, todas nos aplaudindo. Foi indescritível, um dos pontos mais altos da minha carreira, sem dúvida."

Na opinião do treinador, a Alemanha foi premiada neste domingo por ter buscado sempre a vitória e por estar com melhor preparo físico do que os argentinos. "Na maior parte do tempo, fomos o time mais ativo, com mais posse de bola. Na prorrogação, tivemos energia para ir à frente e pressionar o adversário. Nos minutos finais a Argentina não tinha mais energia."