A operária
A funcionária mais antiga da maior fábrica da cidade

Mazé trabalha há 18 anos na Rota do Mar (Fotos: Luiza Freitas)

É impossível falar de Santa Cruz do Capibaribe e suas confecções sem mencionar a Rota do Mar, filha mais famosa da terra. Criada há 18 anos como uma pequena marca entre tantas outras, hoje conta com 471 empregados diretos, cinco lojas e um crescimento anual que pode ultrapassar os 15%. Da mesma forma, é impossível falar da empresa sem apresentar Maria José de Carvalho, 42, a Mazé. Costureira desde sempre, ela é também a mais antiga e talvez mais orgulhosa funcionária da fábrica. Ama o que faz e avisa que quando se aposentar - a contra gosto - não vai deixar as máquinas.

Como tantas outras meninas, Mazé começou a costurar junto a suas três irmãs, sob os olhares atentos da mãe, em casa, na Zona Rural da cidade. Ela permaneceu entre a máquina e a feira, onde também vendia a produção da familiar, até seus 17 anos. Já moça, mudou-se para o centro de Santa Cruz e começou a trabalhar para fora, em produções maiores do que estava acostumada. "O pagamento era um pouquinho melhor, mas ainda era difícil. Tinha mais exigência, mais cobrança", lembra.

Mazé chegou a mudar de empresa algumas vezes, mas a dinâmica era sempre a mesma. Até que aos 24 anos - quando já tinha dois dos seus três filhos - o que era para ser uma má notícia acabou se tornando o início do seu grande orgulho como costureira e crescimento profissional. A confecção onde estava faliu, mas, antes que pudesse se considerar desempregada, uma empresa que acabara de abrir as portas decidiu contratar todos os funcionários que seriam colocados para fora. Era a Rota do Mar.

Nos 18 anos como funcionária, Mazé passou por diversos setores da fábrica. Desde a montagem - que hoje é terceirizada - até o difícil e respeitado posto de costureira da pilotagem. Sua função é a que mais se aproxima de como era o ofício no passado, quando as costureiras dominavam todo o processo, da modelagem ao acabamento. Junto a outros 15 profissionais, ela produz as peças piloto da marca, que são analisadas e passam por eventuais alterações antes de serem produzidas em larga escala.

A pilotagem monta os modelos antes de serem produzidos em larga escala

Com a experiência que tem, não é raro Mazé sugerir alterações nos modelos que chegam às suas mãos, que são muitos. "Eu não me vejo trabalhando em outro lugar, adoro o que faço. Quando vejo as roupas que fiz pela televisão, então! Aí me emociono, saio dizendo para todo mundo que fui eu que fiz a primeira peça, que passou primeiro pela minha mão", confessa entre risos. Os elogios à empresa foram reforçados no ano passado, quando a empresa foi eleita uma das cem Melhores Empresas para se Trabalhar na América Latina pelo prêmio Great Place to Work (GPTW).

No caso de Mazé, no entanto, o entusiasmo se deve muito ao gosto pelo ofício em si. "Costurar para mim é tudo, a minha profissão, a minha vida. Não me vejo parando de trabalhar, mas quando parar, acho que vou providenciar uma máquina para costurar em casa", diz. Máquina que Mazé não tem em casa por uma razão simples: sua vaidade é suprida a baixo custo no Moda Center. Lugar que é a versão atual da feira onde sua história começou. "Tá bom, né? A gente trabalha a semana toda, chega o fim de semana não quero ver máquina!", brinca com toda a sinceridade. Mas o que Mazé quer dizer fica claro: em Santa Cruz, uma máquina em casa é só uma deixa para ter sempre trabalho em vista.