Os costureiros
A costura que atraiu os homens na busca por trabalho

Sandro saiu de Saloá à procura de trabalho e há dez anos é costureiro em Santa Cruz (Fotos: Luiza Freitas)

O mérito do primeiro passo em direção à confecção é sim das mulheres de Santa Cruz do Capibaribe. É por isso que essa série de reportagens se intitula no feminino e retrata a cidade através de personagens desse sexo tão forte. Seria uma injustiça, porém, ignorar o papel dos homens durante o desenvolvimento local. A confecção tomou uma proporção tão grande na cidade que costurar, pelo menos em Santa Cruz do Capibaribe, não está restrito às mulheres. Exemplo disso é Sandro José de Vasconcelos, 27 anos, que deixou sua cidade natal, Saloá, também no Agreste, em busca de emprego. Ao chegar em Santa Cruz, soube que tiraria seu sustento diante de uma máquina.

Diferente das mulheres retratadas em toda a série, Sandro não aprendeu a costurar na infância. Longe disso. Até os 17 anos, ao contrário, esse não era um ofício tido como uma opção para ele.

Mas, como a própria cultura machista tão impregnada na sociedade e mais perceptível no interior indica, para virar homem, Sandro tinha que trabalhar e ganhar o mundo. Seu destino, na verdade, foi mais curto, a pouco menos de 200 quilômetros de distância: Santa Cruz do Capibaribe era promessa de emprego certo e crescimento.

"Quando cheguei, não sabia como funcionava uma máquina, não sabia mexer. Comecei emendando uma peça na outra, aprendi enquanto trabalhava", conta. Não teve e nem tem vergonha do que faz. É difícil, aliás, encontrar um homem em Santa Cruz que demonstre o menor sinal de constrangimento ao dizer que sabe costurar ou de se apresentar como costureiro (ninguém fala alfaiate, por exemplo, termo mais comum para se referir ao masculino da profissão).

Maria Adriana (dir.) divide com o marido a emcomenda dos representantes de empresas

Sandro e sua esposa, Maria Adriana do Carmo, 27, têm hoje uma confecção familiar que chega a produzir 200 camisetas por dia. Trabalhando na sala da casa simples mas confortável onde moram - onde o espaço para a televisão sede lugar para três máquinas industriais - eles podem ficar mais próximos do filho Geliade, de 8 anos.

Enquanto Maria Adriana, tímida, se diz satisfeita com o trabalho de costureira, apesar de reclamar da rotina cansativa, Sandro pretende formalizar o negócio, expandir e contratar empregados. Sua produção familiar faz parte da impressionante taxa de 81,2% de unidades informais na cidade, que conta com mais de 7 mil núcleos de confecção. Em Caruaru e Toritama esse percentual chega próximo (78,7 e 77, 1, respectivamente) mas, considerando que a primeira cidade conta com apenas 4.530 locais de produção e a segunda a 2.818, percebe-se o tamanho da informalidade em Santa Cruz.

Para sair dessa estatística, Sandro busca informações para proporcionar uma vida com mais estabilidade para todos. "A pessoa tem que pensar no futuro, em mudar, crescer. Pensar em quando ficar mais velho, na aposentadoria", diz. Sua faz parte do impressionante taxa de 81,2% Sob orientação do Sebrae, Sandro se prepara para dar entrada no processo que irá torná-lo um microempreendedor individual.